Em que regra me perdi?
Onde foi que deixei o meu jeito de pensar?
Onde quer que esteja, hoje parei para refletir sobre como regras nos limitam. Sobre como nossa imaginação e criatividade adormecem quando nos colocam cara-a-cara com as regras. Uma fatalidade de coisas bonitas dentro de nós morre.
No amor, fizeram a gente acreditar que "relacionamento sério" é quando a eternidade nos permite viver ao lado da pessoa, fizeram a gente acreditar que sendo assim, a outra pessoa não irá te trair, e estará lhe apresentando para sociedade.
Sociedade hipócrita. Acabamos atropelando tudo de mais simples e bonito que um relacionamento tende a oferecer.
Temos a ânsia pelo futuro, queremos um relacionamento sério logo, e esquecemos o presente. Esquecemos que o amor é ter alguém para dividir momentos felizes, e não dividir uma série de sentimentos egoístas. Perdemos o encanto de passear de mãos dadas nos parques, perdemos de conhecer o outro. Mergulhamos a seco no futuro. Isso resulta inúmeras frustrações amorosas, minhas, suas, daquele ali, daquela lá.
No trabalho, fizeram a gente acreditar que temos que ser práticos e ambiciosos. Um poço frio de sentimentos boiando na rotina dos dias. Fizeram a gente acreditar que dinâmica é passar por cima do outro.
Que temos horário para cumprir, que temos pilhas de papéis em nossa mesa para resolver.
Que temos que ser simpáticos com aquele cara sem educação, só porque a conta bancária dele é maior do que nossa casa. Causando-nos o doentio, estresse rotineiro. E é por essas e muitas outras coisas que deixo aqui o meu desabafo. Um sopro dos meus pensamentos. Se as regras deixassem de existir, por um dia que seja, o que a gente realmente faria?
Quais os nossos desejos mais sinceros?
Se perderia num amor adolescente, viajaria pelo mundo, mudaria o trajeto do trabalho para casa, daríamos as mãos sem esperar nada em troca.
Faríamos uma limpa dos sentimentos ruins que rodeiam nossas atitudes e nosso coração. Enfeitaríamos os dias com risos. Piscas-piscas.
Apagaríamos todas as luzes da cidade, para contar todas as estrelas. Deixaríamos a porta do nosso nobre coração aberta para que os bons sentimentos entrem, para que uma dose de loucura torne nossa vida mais aproveitosa.
Sabrina Lopes Gutierres