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A morte pode ser interrompida ou revertida: qual será o ponto exato do não retorno neste processo? |
Último suspiro, a morte chega e a vida acabou: será? Mas, quase todas as células continuam vivinhas! Elas nem têm ideia do que aconteceu e vão tocando o metabolismo, usando oxigênio e nutrientes ao seu redor, produzindo e secretando para manter a vida. Quando começa a faltar oxigênio que percebem o ocorrido e cada um dos 206 tipos de células tem um tempo diferente para perceber.
Sempre se acreditou que as primeiras células que sentem a falta de oxigênio são os neurônios: apenas alguns poucos minutos, mas hoje sabe-se que são 8 horas! As células musculares cárdicas vinham em seguida com 20 minutos. Na pele, sobrevivem 24h, as células ósseas por 4 dias. As que mais resistem por muitos dias à falta de oxigênio parecem ser ainda as da cartilagem ou condrócitos.
Um morto deve apresentar: 1. parada respiratória, 2. parada cardíaca, 3. parada respiratória e 4. ausência de reflexos indicando parada cerebral, se possível, com detecção de ausência de ondas elétricas. Com a morte, a temperatura corporal fica igual à do ambiente e a cor acinzentada aparece depois de 3h. Uma rigidez se inicia de cima para baixo depois 6 a 8h da morte e dura 2 a 3 dias, seguida pela putrefação.
Na catalepsia, uma doença rara se caracteriza pela imobilidade dos membros com músculos rígidos sem contrações, a pessoa fica o tempo todo consciente: pode se ficar horas ou dias nesta situação e a pessoa pode ser dada como morta. Os métodos de verificação de morte pela ausência de ondas cerebrais elétricas torna quase impossível que alguém seja enterrado vivo com esta doença. Nem todos que morrem passam necessariamente por estes exames.
As ondas elétricas cerebrais até podem estar ausentes em um morto que estaria vivo! Não raramente se tem notícias de pessoas que se levantam do caixão no velório ou despertaram no IML. Também não são raras as descrições de exumações de cadáveres em que a parte interna do caixão estava toda arranhada! Alguns cemitérios disponibilizam sensores de movimentos nos pulsos, tornozelos e pescoço do cadáver, ligados a uma central que soam um alarme se, e quando, acionados.
Ressuscitação
Em 2012, diante de 35 mil pessoas, o jogador de futebol africano Fabrice Muamba de 23 anos desmaiou em Londres. No hospital seu coração ficou parado por 1h e 18min: ele sobreviveu sem qualquer sequela!
Uma japonesa de 30 anos com hiperdose de medicamentos foi encontrada morta no bosque com temperatura corporal de 20 graus e parecia que há muito tempo estava sem batimentos cardíacos, pelo menos 10h. Depois de 6h da entrada no hospital, voltou a respirar e ao estado normal dando a luz para um bebê em 2013.
Em 2009, Joe Tiralosi de 57 anos deu entrada no hospital de Nova York com infarto e depois de 20 minutos foi considerado morto, mas os médicos insistiram e 40 minutos depois o coração voltou a bater. Logo depois, parou por mais 15 min, ressuscitado voltou a bater novamente. Três semanas depois estava com a família totalmente normal.
Sam Parnia, chefe da UTI do hospital da Universidade Stony Brook em Nova York discute casos como estes no livro “Erasing Death” ou Apagar a Morte em português pela Pergaminho. Na ressuscitação usa-se sempre um resfriador do corpo, um aparelho que mantem a circulação do sangue oxigenando-o e um desfibrilador. Cada grau diminuído da temperatura do corpo, reduz-se 6% do metabolismo. Em geral resfria-se o paciente entre 32 e 34 graus por 12 a 24h injetando-se soro gelado, colocando sacos de gelo por cima ou mantas térmicas .
Um neurônio inativo funcionaram novamente em experimento de pesquisadores do Instituto Salk: cultivaram e reativaram neurônios de cadáveres recém falecidos até depois de 4h sem funcionarem, eles ficam viáveis! Então in vivo também podem voltar a funcionarem!
Mudou: a morte agora pode ser encarada como um processo reversível, mesmo depois de algumas horas. Nos afogamentos, o organismo parece ter reservas de oxigênio até por 10min. As técnicas atuais de ressuscitação sem sequelas alcançam taxas incríveis de sucesso em tempos prolongados sem batimento cardíaco! Estudos são realizados para compreender a hibernação dos animais a fim de aplicar os mesmos princípios no homem.
Para Sam Parnia, daqui 20 anos traremos à vida pessoas que passaram mais de 24h sem atividade cardíaca ou cerebral: nossos netos não vão ver a morte da mesma forma que nós, ela representará um processo longo e complexo que poderá ser interrompido ou revertido!
E a alma, como fica?