08 de julho de 2026
Auto Mercado

Use bem a garantia

Marcos Serra Negra Camerini
| Tempo de leitura: 4 min

Tirando o cheirinho de novo, a grande vantagem de um carro zero é a garantia de fábrica. A maioria dos fabricantes dá um ano de garantia ou certa quilometragem, o quer vencer primeiro. Hoje, algumas grandes montadoras estão dando 3 anos sem limite de quilometragem, ou até mais. Claro que tudo vinculado ao fato de que as revisões sejam sempre feitas na concessionária, nos períodos indicados. Apesar do custo mais alto, ainda vale a pena por manter o veículo original e com manutenção preventiva.

Mas, será que nós devemos levar o carro até a revenda apenas nos períodos estipulados pela fábrica? A meu ver, não. Garantia é garantia e deve ser usada sempre que necessário. Qualquer barulho diferente, regulagem mal feita ou mau funcionamento deve ser sanado pela concessionária no período da garantia.

É comum encontrar carros novos com ruídos em painel, acabamentos plásticos soltos, estofamentos mal encaixados e uma infinidade de pequenos problemas que alguns nós mesmo consertamos. Mas isto não é o indicado. A fábrica tem processos de controle de qualidade, inspeção e montagem muito rígidas e dificilmente o carro sai da linha de montagem com algum defeito sério. Se algo se soltou até chegar às mãos do feliz novo proprietário, pode ser por ter sido mal colocado apenas (isto é fácil de corrigir) ou por ter algum defeito que não retém a fixação (aí requer troca). Neste último caso, se nós mesmos fixarmos a peça e esta vier a se soltar novamente, poderá ter seu problema agravado e eventualmente perder o direito à garantia.

Vejam o caso de portas que não se fecham direito. Vi outro dia o carro de um amigo, com apenas 2 mil quilômetros rodados, que as portas traseiras não se fechavam com suavidade. Pelo contrário, precisavam ser batidas com força, pois sempre ficavam entreabertas, no primeiro estágio do fecho. Parece ser coisa simples, uma pequena regulagem no batente da porta e pronto. Mas o correto é que as portas se fechem sem precisar socar ou chutar, não é? E se o problema estiver nas borrachas da guarnição? Se elas estiverem muito duras, ressecadas ou mal instaladas, ocasionarão o mesmo sintoma de porta mal regulada, só que não haverá regulagem que resolva. Pode ser que um simples reencaixe da guarnição coloque tudo em ordem novamente, mas também pode ser que a borracha seja de um lote defeituoso e requeira substituição.

Lâmpadas queimadas então, nem se fala. Como é simples trocá-las, nós mesmos o fazemos. Mas isto é totalmente desaconselhável, pois o fato da lâmpada ter-se queimado em tão pouco tempo (com certeza ela não foi montada queimada), pode ser indicativo de possível problema elétrico no chicote ou no sistema. Trocar a lâmpada não resolverá o problema, apenas o sintoma. Recomendo que se leve o carro na garantia para checar todo o sistema e trocar a lâmpada queimada. Se for só isso, melhor para você...

Sou da opinião que se estiver em dúvida se o problema pode ser resolvido facilmente ou não, enquanto seu carro estiver no período de garantia, leve-o sempre na concessionária. Claro que se o pneu estiver murcho não precisa, basta calibrar em um posto. Use o bom senso. Mas se o rádio não estiver pegando bem, não tente desmontar a antena ou retirar o rádio você mesmo. Passe num sábado na sua revenda e mostre-lhes o problema, agendando uma data para deixar o veículo para a manutenção.

Após o período de garantia, você tem todo direito de escolher como melhor resolver seu problema, seja por você mesmo ou encaminhando seu veículo para uma concessionária ou oficina especializada de confiança. Procure aquele que lhe atendeu melhor, em serviço e custo.

Hoje em dia as concessionárias estão muito mais conscientes do mercado, em que competem com diversas boas oficinas com preços mais acessíveis e que oferecem uma boa alternativa para os proprietários de veículos. Algumas peças originais chegam a ser até mais baratas do que as equivalentes no mercado, mas cuidado com os preços de mão de obra. Certas concessionárias menos escrupulosas cobram uma hora de mão de obra cheia, como se fosse de um mecânico treinado na fábrica com bastante experiência, mas colocam aprendizes para realizar o mesmo serviço. Não é regra, mas a prática existe.