A briga esperada entre “Gravidade” e “12 Anos de Escravidão” pelo Oscar 2014 se confirmou com o anúncio dos indicados ao prêmio, na manhã de ontem, em Hollywood. Mas “Trapaça”, também virou um concorrente sério à estatueta. O longa de David O. Russell foi indicado em dez categorias, mesmo número de “Gravidade”, de Alfonso Cuarón. “12 Anos de Escravidão”, de Steve McQueen, teve nove indicações.
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Os três disputarão com mais seis produções: “Capitão Phillips”, de Paul Greengrass; “Ela”, de Spike Jonze; “Nebraska”, de Alexander Payne; “O Lobo de Wall Street”, de Martin Scorsese; “Clube de Compras Dallas”, de Jean-Marc Vallée; e “Philomena”, de Stephen Frears. Os dois últimos foram as surpresas da lista.
Tom Hanks, considerado um forte concorrente como melhor ator por “Capitão Phillips”, foi esquecido, enquanto o colega Barkhad Abdi papou uma indicação em ator coadjuvante - Robert Redford, outro veterano, também ficou de fora por “Até o Fim”, de J.C. Chandor.
O documentário “Blackfish”, sobre os maus tratos às baleias orcas no Sea World, não entrou na lista, que tem como favorito “O Ato de Matar”, de Joshua Oppenheimer, sobre a reencenação de atos de extermínio na Indonésia.
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“The Square”, sobre a Primavera Árabe, rendeu ao Netflix a primeira menção no Oscar. Já Jennifer Lawrence, 23, se ganhar como atriz coadjuvante por “Trapaça”, se tornará a atriz mais jovem a ganhar dois Oscar - ano passado, ela levou o de atriz principal por “O Lado Bom da Vida”.
A comédia “Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha” tem uma indicação (maquiagem), o mesmo número que recebeu o classudo “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” (trilha sonora), com Emma Thompson -que acabou não indicada para melhor atriz. A categoria ficou livre para Cate Blanchett levar a indicação por “Blue Jasmine”, de Woody Allen. A produção também concorre aos prêmios de atriz coadjuvante (Sally Hawkins) e roteiro original.
O anúncio serviu para algumas ressurreições. Martin Scorsese, que há dois meses se defende nos Estados Unidos por causa das cenas de nudez e referências a drogas de “O Lobo de Wall Street”, foi indicado para melhor diretor, roteiro e filme - Leonardo DiCaprio e Jonah Hill entraram nas listas de ator e ator coadjuvante, respectivamente, pela produção.
Já “Nebraska”, de Alexander Payne, veio por fora e, além de melhor filme, direção e fotografia, também rendeu indicações a Bruce Dern (ator) e June Squibb (atriz coadjuvante), dois veteranos esquecidos pela indústria. Entre os filmes estrangeiros, “A Grande Beleza”, de Paolo Sorrentino, deve levar o Oscar para a Itália, mesmo enfrentando o dinamarquês “A Caça” e “Omar”, a segunda indicação de uma produção palestina na história.
Brasil fora
“Uma História de Amor e Fúria”, animação brasileira de Luiz Bolognesi, “por pouco” não foi indicada ao Oscar ontem. A avaliação é do próprio diretor. O filme, lançado ano passado, era um dos 19 finalistas que disputavam uma das cinco vagas entre os indicados de melhor animação.
“Acho que bateu na trave. Acho que a gente tinha 5% de chance e não deu, foi por pouco”, diz Bolognesi, 48. Na categoria, foram indicados as produções americanas “Os Croods”, de Kirk De Micco e Chris Sanders, “Meu Malvado Favorito 2”, de Pierre Coffin e Chris Renaud, “Frozen: Uma Aventura Congelante”, de Chris Buck e Jennifer Lee, o japonês “Vidas ao Vento”, de Hayao Miyazaki (“A Viagem de Chichiro”) e o francês “Ernest et Célestine”, de Stépphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner.