09 de julho de 2026
Regional

Governo monitora ataques a caixas

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 5 min

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) irá traçar estratégias para coibir o ataque a caixas eletrônicos nos municípios do Estado de São Paulo, sobretudo naqueles com até 30 mil habitantes. Levantamento feito pelo órgão revela que, no ano passado, as cidades pequenas concentraram 35% dos casos registrados no Estado. Uma das propostas é o reforço no policiamento ostensivo. Ontem, uma quadrilha fortemente armada explodiu o caixa de agência bancária em Guarantã, na região de Lins (leia mais abaixo).

A reportagem teve acesso a informações sobre estudo feito pelo Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública (CIISP) da SSP, com base em dados fornecidos pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e por departamentos de inteligência das Polícias Militar e Civil. De janeiro a agosto de 2013, foram registrados 199 furtos a caixas eletrônicos em todo o Estado. Desses, 17% ocorreram na Grande São Paulo, 26% na Capital e 57% no Interior.

A maior parte dos ataques ocorreu de madrugada, entre 0h e 5h59 (59%), seguido da manhã, entre 6h e 11h (23%) e da noite, entre 20h01 e 22h59 (6%). Segundo o levantamento, durante a madrugada, há redução no efetivo policial e menos pessoas nas ruas, o que favorece este tipo de crime. O estudo aponta ainda que, nos últimos dois anos, os criminosos que cometem esta modalidade de delito migraram da Capital e Grande São Paulo para o Interior.

Essa mudança, de acordo com a cúpula da Segurança Pública, pode ser explicada por algumas características do interior, como grande oferta de sítios e chácaras, onde as quadrilhas podem se reunir para planejar os furtos; “intercâmbio” com criminosos de outros Estados, como Paraná e Minas Gerais; menor quantidade de policiais e maior número de rodovias e vicinais, que facilitam o deslocamento dos bandidos até os alvos e servem como rotas de fuga.

Na maioria dos casos, as quadrilhas são compostas por quatro ou cinco integrantes, mas também foram relatados crimes com a participação de até nove assaltantes. Apesar da predominância dos furtos, também foram registradas ocorrências em que o grupo chegou a render vigilantes. Em geral, os criminosos utilizam armas como pistolas, fuzis e metralhadores para intimidar eventuais testemunhas e fogem em veículos furtados, com placas frias.

Ainda de acordo com as informações a que a reportagem teve acesso, o levantamento mostrou que, com as explosões, a estrutura física das agências fica bastante comprometida, o que pode indicar falta de conhecimento técnico dos autores. Outro dado relevante é o ataque às bases policiais que antecede a prática dos furtos em cidades pequenas o que, segundo a polícia, tem como objetivo desviar a atenção do efetivo policial de plantão.

Explosivos

A polícia também chama a atenção para a facilidade que organizações criminosas têm de encontrar explosivos fora dos grandes centros urbanos, sobretudo nas regiões de Campinas e Ribeirão Preto, onde há maior concentração de empresas que utilizam esse tipo de material nas suas atividades.

O estudo mostra que o uso de explosivos nos ataques a bancos se intensificou a partir de 2009, com o aumento da oferta do material no País e facilidade de desvio por meio de furtos e roubos. Antes, os crimes mais comum eram os roubos às agências ou a destruição dos caixas através de maçaricos.

De acordo com informações obtidas pelo JC, os assaltantes usaram algum tipo de explosivo em 145 das 199 ocorrências de furtos a caixas eletrônicos registradas no ano passado em todo o Estado. Nas outras 54, os equipamentos eletrônicos foram arrombados de outras maneiras.

As agências bancárias que mais sofreram com as explosões foram aquelas instaladas em cidades pequenas. Em 35% dos casos, os crimes ocorreram em localidades com até 30 mil habitantes, contra 16% em municípios com população entre 300 mil e um milhão de habitantes.

Soluções

O estudo feito pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) irá ajudar a polícia a direcionar o policiamento ostensivo para regiões mais vulneráveis, além de contribuir para planejamento de ações preventivas e de repressão aos furtos de caixas eletrônicos, visando à redução dessa modalidade de crime.

Entre as propostas apresentadas pelo comando da pasta estão o aumento da vigilância nas unidades policiais de cidades com menos de 30 mil habitantes com o objetivo de prevenir ataques e proteger os policiais, reforço no patrulhamento e aprofundamento das investigações para identificação dos autores.

O órgão também quer que as Polícias Civil e Militar trabalhem juntas para combater roubo, furto e extravio de materiais explosivos nos municípios onde existam empresas do ramo.

O JC solicitou à assessoria de imprensa da SSP informações sobre o número de furtos a caixas eletrônicos registrados em 2012 e 2013 nas regiões dos Deinters (Departamentos de Polícia Judiciária do Interior) 4 e 7, mas o órgão informou que esse tipo de crime é contabilizado como furto e que dados detalhados não poderiam ser fornecidos por questões de “inteligência policial”.

Segundo levantamento extraoficial feito pelo JC, entre janeiro e agosto do ano passado, foram registrados pelo menos 23 furtos a caixas eletrônicos na região, média de quase três casos por mês. A ocorrência mais grave foi em Conchas, onde um policial militar de 44 anos foi morto com tiro de fuzil no peito durante ataque dos ladrões a base da PM.

Os municípios onde as quadrilhas agiram utilizando explosivos foram Areiópolis, Uru, Itaju, Espírito Santo do Turvo, Itapuí, Paulistânia, Ourinhos, Borebi, Águas de Santa Bárbara, Pongaí, Domélia (distrito de Agudos), Lençóis Paulista, Torrinha, Conchas, Pardinho, Anhembi, Bofete e Santa Maria da Serra. As cidades onde houve apenas arrombamento dos caixas eletrônicos, sem explosões, foram Pederneiras, Botucatu, São Manuel e Agudos. Em todos os casos, os criminosos conseguiram fugir.