A rainha Maria Antonieta, da Casa Habsburgo, ramo austríaco, casou-se muito cedo com o rei da França Luís XVI, da dinastia Bourbon, linhagem famosa dos luíses de França. Imaginava a realeza à época governar por ?Direito Divino? concedido à suas casas dinásticas diretamente por Deus, aliás, construção teórica criada pelo cardeal francês Jacques Bossuet para justificar o absolutismo europeu e, em especial o francês. É atribuída a ela a famosa frase: "...se o povo não tem pão que coma brioches (espécie de pão confeitado, que levava na sua confecção açúcar, frutas cristalizadas, manteiga, nozes)", que dita em um momento de fome e grave crise social na França pré-revolucionária, precipitou os acontecimentos que desembocaram na Revolução Francesa e na morte da rainha e do absolutismo como regime político da Europa. Não se sabe se a famosa frase teria sido dita por Maria Antonieta. Talvez possa ter sido dita por outra rainha francesa, mas os reis de França, por muitos anos no poder não perceberam que algo estava por acontecer e muito grave.
No Brasil, como no mundo, já não se fazem mais revoluções como antigamente, mas os sinais que alguns governantes desprezam são muito parecidos com aqueles que foram levados em conta na França pré-revolucionária. No Maranhão, uma famosa família de políticos está no poder há 47 anos e, segundo informações inconsistentes da Enciclopédia Digital Wikipédia, para o verbete sobre esses políticos o Estado do Maranhão teria evoluído muito e deixado de ser comandado por coronéis que exploravam o povo e tratavam a coisa pública como coisa própria. Acontece que o decano senador dessa família, desde que assumiu o poder no Maranhão, já mudou sete vezes de partido e hoje é senador pelo Amapá. Sua filha, governadora do Estado por várias vezes, não conseguiu reverter o legado familiar de dotar o Maranhão do penúltimo lugar no Índice de Desenvolvimento Humano entre os estados brasileiros. Mas os problemas do Maranhão não param por aí: no presídio de Pedrinhas há uma grave situação que mostra o descontrole do estado em resolver seus problemas sozinhos, sendo que no ano de 2013, 72 presos foram executados sob tortura e vários decapitados, revelando a barbárie que são os presídios do Brasil e, em especial, do Maranhão. Qual a postura da governadora nessa grave crise humanitária? Abertura de licitação para compras de alimentos para o Palácio dos Leões em São Luís, Capital do Estado, no valor de 1 milhão e 400 mil reais, com os seguintes requintes de corte imperial: 80 kg de lagosta, 2 toneladas de camarão, salmão defumado, bacalhau etc. Ao ser contestada por esses gastos em maio a grave crise humanitária a governadora suspendeu a licitação e já a reformulou retirando a lagosta substituída por caviar. Quem sabe se esses acontecimentos não poderão servir como os brioches de Maria Antonieta para alertar ao povo maranhense que as coisas podem mudar através de uma Revolução Pacífica, através do voto, que afaste do poder aqueles que pouco fizeram até agora.
O autor, Fabio Paride Pallotta, é historiador em Bauru e ferroviarista