10 de julho de 2026
Política

Faltam vagas para o ensino infantil

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo/João Rosan

Vera Casério: chamamentos para matrículas obedecem à ordem de pedidos registrados

Pais e mães trabalhando com os filhos cada vez menores, a ampliação das turmas período integral e a migração de crianças matriculadas na rede particular para a municipal têm resultado em uma equação sem solução: novas vagas são ofertadas, mas não conseguem suprir a demanda crescente para o ensino infantil. Só em dezembro, foram novos 1.000 pedidos.

Como a educação infantil é um “curso livre”, não há prazos específicos para solicitações de matrícula. O número, no entanto, nesta época em função da proximidade do início do ano letivo. Nos demais meses, a Secretaria Municipal de Educação costuma incluir de 50 a 100 crianças à espera por vagas.

Até novembro, a demanda excedente era de 800 alunos. Em dezembro, o número subiu para 1.700. Atualmente, o déficit é de 728. A expectativa do governo é reduzi-lo com durante os primeiros meses de 2014, em parte, pelos chamados para matrículas das creches conveniadas com a prefeitura.

Além disso, três escolas reformadas e um prédio público recuperado serão inaugurados até o mês que vem, ampliando 330 vagas para o período integral e criando outras 100 exclusivas para o berçário.

“Há uma procura muito grande para matrículas de bebês de quatro meses até dois anos de idade. É muito complicado porque, se em uma turma de jardim, é possível reunir 300 crianças. Não dá para deixar os profissionais dos berçários com mais do que oito. São cuidados muito especiais”, observa a secretária Vera Casério.

As 100 vagas para essas crianças serão criadas na Vila Tecnológica, em imóvel recuperado, onde já funcionou uma biblioteca ramal e estava abandonado.

As demais novas matrículas serão distribuídas entre as escolas Pinóquio (100), no Higienópolis; Maria Izolina Teodoro Zaneta (130), no Jardim Ferraz; e Chapeuzinho Vermelho (100), no Popular Ipiranga. As obras da última devem ser concluídas apenas em março. As outras, em fevereiro.

“Teoricamente, com essas vagas, seria até possível zerar a demanda. No entanto, existem barreiras geográficas. As mães querem matricular os filhos nas escolas próximas de suas casas. Muitas vezes, oferecemos, mas elas recusam por conta da distância, que nem sempre é tão grande. Além disso, há a necessidade específica para berçário. São 166 bebês esperando”, explica Vera.

A secretária garante, no entanto, que nenhuma criança de 5 anos ficará sem vaga em 2014.


20% da rede particular

A Secretaria Municipal de Educação, Vera Casério, identificou grande procura por matrículas no ensino infantil para alunos que frequentam ou frequentavam escolas da rede particular. Segundo Vera Casério, das 1.000 solicitações registradas, 200 foram de crianças com esse perfil.

“Isso não significa que a escola particular não tenha qualidade. Pelo contrário, continua sendo muito boa. Mas nós também estamos oferecendo condições muito interessantes. São cinco refeições ao dia para o período integral”, argumenta.

A secretária explica que os chamamentos para matrículas obedecem à ordem de pedidos registrados pela Central Única de Vagas. “É tudo muito rigoroso. Uma criança só pula a vez de outras quando há um mandado de segurança que nos obrigue a matriculá-la”.


União e Estado garantem novas escolas

Parcerias com o governo federal e com o governo do Estado vão viabilizar a construção de novas escolas de ensino infantil para Bauru. Nesta semana, a prefeitura assinou contratos para a construção de duas escolas com recursos da União: uma na Quinta Ranieri e outra no Parque Roosevelt. Cada uma oferecerá 200 vagas em período integral.

A primeira viabilizada pelo Pró-Infância foi entregue no Nobuji Nagasawa e outra está em obras na Pousada da Esperança.

Está previsto para fevereiro o início de obras para a construção de outras três unidades: no Fortunato Rocha Lima, Tangarás/Ferradura Mirim e Jardim Niceia. Essas escolas já foram licitadas pelo governo federal e serão erguidas pela construtora Casa Alta, utilizando a Metodologia Inovadora.

“Os projetos são lindos. Com PV e concreto, eles levantam as escolas em cinco meses. Uma deve começar a ser construída em fevereiro, outra em março e a última em abril. Poderão atender os alunos durante o segundo semestre”, pontua Vera Casério.

Ontem, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), os secretários de Obras e Planejamento, Sidnei Rodrigues e Paulo Ferrari, e técnicos na prefeitura vistoriaram os terrenos onde as unidades serão erguidas.

No dia 22, aliás, acontecerá em Bauru encontro com representantes de 13 cidades paulistas que terão escolas construídas por essa metodologia.

O Estado, por sua vez, deve construir duas unidades de ensino infantil na cidade, com recursos do Fundo para o Desenvolvimento da Educação (FDE). Uma delas será erguida no Mary Dota e outra, no Monte Verde. Elas ainda não foram licitadas.