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Reprodução/Internet |
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Desempregados somavam 7,3 milhões de abril a junho; no período, número de pessoas empregadas, era de 90,6 milhões |
O Brasil passou a ter uma taxa nacional de desemprego trimestral, e a constatação é que ela é mais elevada do que a vinha sendo apurada pelo Istituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis maiores metrópoles do País - áreas onde a economia é mais dinâmica e diversificada, multiplicando as oportunidades de trabalho.
Os dados da nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) contínua, que visita lares de 3.500 cidades do País ao longo do ano, revelam as diferenças regionais e que no segundo trimestre de 2013 (dado mais recente disponível) o desemprego subiu nas áreas mais pobres: Norte e Nordeste.
Em nível nacional, a taxa de desemprego ficou em 7,4% no segundo trimestre de 2013 - 0,6 ponto percentual abaixo do 8% dos três primeiros meses daquele ano e apenas 0,1 ponto inferior à do segundo trimestre de 2012.
O contingente de desempregados no País somou 7,3 milhões de abril a junho. Naquele período, o número de pessoas empregadas, por seu turno, era de 90,6 milhões.
Conforme esperado por analistas, o desemprego na pesquisa ficou acima do registrado pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que analisa seis regiões metropolitanas, - 5,9% no segundo trimestre de 2013.
O resultado contradiz a ideia de alguns economistas de que o País vive o pleno emprego, com uma taxa de desocupação próxima a 5%.
Para Wasmália Bivar, presidente do IBGE, as maiores metrópoles têm uma “estrutura econômica completa”, com oferta de vagas em vários setores como indústria, serviços, educação e saúde pública. O mesmo não ocorre nos municípios menores.
Tal lógica prevalece nas regiões menos desenvolvidas e de renda mais baixa. No Nordeste, o desemprego saltou de 9,6% no segundo trimestre de 2012 para 10% em igual período de 2013. No Norte, subiu de 8,1% para 8,3%. Nas demais regiões, houve redução. No Sul, a taxa é de 4,3%.
A ministra Miriam Belchior (Planejamento) diz que as diferenças regionais eram notadas na PME e que a pesquisa nova permitirá ao governo traçar políticas de emprego mais específicas e regionalizadas.
Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, os novos dados são mais fiéis à realidade e condizentes com o fraco crescimento do País nos dois últimos anos.
Douglas Uemura, da LCA, diz que o fato de a taxa na Pnad ser mais alta do que a da PME não muda a leitura do mercado sobre o comportamento do desemprego.
Confirmado avanço da formalização
Os dados da nova Pnad contínua confirmam, em nível nacional, a tendência de formalização crescente do mercado de trabalho, já verificada para as maiores metrópoles do País.
O percentual de empregados com carteira de trabalho assinada no país passou de 75,5% no segundo trimestre de 2012 para 76,4% no mesmo período de 2013. Já os empregados sem carteira recuaram 24,5% para 23,6% em igual intervalo, segundo o IBGE.
Embora em expansão, a formalização do mercado de trabalho revela uma forte desigualdade regional.
Enquanto na região Sul 84% dos empregados tinham registro formal, esse percentual era de 61,5% no Nordeste no segundo trimestre de 2013.
Ao lado do Sul, os maiores níveis de contratações formais foram registradas no Sudeste (80,8%) e Centro-Oeste (77,4%). No Norte, o percentual ficou em 65,3%.
Em todas as regiões, houve melhora na formalizacão relação ao segundo trimestre de 2012. Os maiores avanços ficaram Sul e Nordeste, com alta de 1,3 ponto percentual frente ao segundo trimestre de 2012. No Sudeste, a expansão foi de apenas 0,2 ponto percentual.
Dentre os motivos do avanço do emprego com carteira estão a maior fiscalização de órgãos do governo e a restrição de mão de obra em alguns setores.
Regiões
O mesmo padrão de fortes diferenças regionais se repete na taxa de desemprego.
As regiões Norte e Nordeste registraram taxas de 8,3% e 10%, respectivamente, no segundo trimestre de 2013. Ambas se situaram acima da média do país (7,4%) e registraram uma piora frente ao segundo trimestre de 2012, quando as taxas haviam sido de 8,1% e 7,5%, respectivamente.
Nas demais regiões, houve melhora e as taxas recuaram. As mais baixas no segundo trimestre de 2013 foram registradas no Sul (4,3%), Centro-Oeste (6%) e Sudeste (7,2%).
Idade
Ao contrário da média do País, a taxa de desemprego entre as pessoas de 14 a 17 anos aumentou do segundo trimestre de 2012 para igual período do ano seguinte, segundo o IBGE. A queda denota uma redução no uso de adolescentes no mercado de trabalho brasileiro.
A taxa da faixa etária fechou o segundo trimestre de 2013 em 22,8%, alta de 0,6% em relação ao verificado de abril a junho do ano anterior, quando a taxa foi de 22,2%. Como resultado do aumento do desemprego na faixa etária, houve queda na ocupação de pessoas de 14 a 17 anos.