10 de julho de 2026
Internacional

Constituição do Egito foi aprovada com 98% dos votos, diz governo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A Comissão Eleitoral do Egito informou ontem que a nova Constituição do país foi aprovada com 98,1% dos votos obtidos durante o referendo que terminou na última quarta. A aprovação abre caminho para as eleições presidenciais, às quais deve se candidatar o chefe militar do país, Abdel Fattah al-Sisi.

O primeiro vice-chefe do Conselho de Estado, Essam Eddine Abdel Aziz, disse que o presidente interino, Adly Mansour, deverá anunciar a eleição presidencial para daqui a dois meses. Caso confirmada a informação, a escolha do presidente virá antes da seleção dos membros do Legislativo, alterando a ordem do plano de transição imposto pelo chefe militar e possível candidato, Abdel Fatah al-Sisi.

O respaldo do texto acontece em uma consulta que, segundo o governo, teve participação de 38,6% dos 53 milhões de egípcios aptos a votar. A baixa adesão se deve ao boicote dos islamitas, em especial da Irmandade Muçulmana, à qual pertence o presidente deposto Mohammed Mursi, retirado do poder em julho.

A entidade foi proibida e qualificada como grupo terrorista em novembro pelo governo, não podendo concorrer a cargos públicos. O movimento afirma que Mursi foi vítima de um golpe e não aceita nenhuma medida feita pelo governo interino.

O resultado deve impulsionar os projetos dos militares, que pretendem convocar eleições presidenciais e parlamentares nos próximos meses. No entanto, a baixa participação pode significar a continuidade do impasse político no país.

Tentando justificar a abstenção alta, o juiz responsável pela comissão eleitoral, Nabil Salib, afirmou que o referendo coincidiu com as provas semestrais dos estudantes, afastando o eleitorado mais jovem. Para ele, a votação foi “de um sucesso sem igual e uma participação sem precedentes”.

O referendo aconteceu em meio a intensos protestos da Irmandade Muçulmana, que deixaram 11 mortos em dois dias de sufrágio. Outras 123 pessoas foram presas nas manifestações dos islamitas, que foram proibidas pelo governo.

A consulta foi a primeira desde a queda de Mohammed Mursi, em julho de 2013. O islamita foi preso, assim como mais de 200 membros da entidade à qual era vinculado, e acusado de conspiração com grupos radicais como o palestino Hamas e incitação à violência.