08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Chegaremos lá, Thereza!


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Nossa luta teve início durante a comemoração do aniversário natalício da amiga e professora Thereza Cardoso Felício Rocha. Era o dia 8 de julho de 1981, um sábado à tarde. O local era a sua residência. Quase todos os seus convidados eram professores. Naturalmente, durante o bate-papo geral, a conversa versava sobre o ensino público. Nesse interim, ouve-se a voz da aniversariante: "Escutem. Ao lermos os trabalhos das crianças, temos sempre o desprazer de registrar erros e mais erros ortográficos. Todos erram... Não há quem sempre escreva acertadamente...

Acho que, nós, professores, deveríamos iniciar um movimento no sentido de tornar mais lógica a ortografia de nosso idioma." Antes de terminar a sua argumentação, foi aplaudida por todos. Ao aplaudirem, diversos convidados completavam as palavras da aniversariante. Um grito de independência idiomática parecia ter sido lançado. O Brasil deveria fazer as suas próprias regras idiomáticas! Deveria eliminar todas e quaisquer regras que pudessem confundir aqueles que escrevem ou lêem. E, para isto, "movimentos deveriam surgir por todo o Brasil". Isso era voz corrente naquele ambiente festivo duplamente.

No dia 20 de novembro daquele ano, no recinto da Câmara Municipal de Bauru, na presença de dezenas de pessoas, com a presidência do jornalista Moacyr Penna, foi oficialmente realizada a primeira reunião para tratar dos rumos e trabalhos da organização que surgia naquele momento.

O lema principal era a simplificação ortográfica do idioma português, como já fora decidido anteriormente. Constituído o movimento, com a participação de outras dezenas de pessoas interessadas no assunto, livros foram lançados, panfletos foram divulgados e dezenas de palestras foram feitas. O movimento recebeu, ao final, o nome de Alfabeto Sem Amarras. Mantém ela um site (www.alfabetosemamarras.org), o qual já conta com 1.690.000 acessos.

Neste ano, a Comissão de Educação do Senado Federal deverá efetuar estudos para a proposição de uma nova e ampla proposta de simplificação ortográfica para valer, revogando-se o decreto presidencial atualmente vigente. Serão ouvidos academias de letras, ongs, professores e universidades. Será a mais democrática proposta até hoje feita sobre nosso idioma. Então, professora Thereza, demos a nossa contribuição... Parabéns pela sua parte.

José Perea Martins - presidente da OG Alfabeto Sem Amarras e membro da ABLetras