O jornal britânico “The Observer” informou ontem que a rede britânica BBC deve ser responsabilizada por fazer vista grossa para o ex-apresentador infantil Jimmy Savile. Morto em 2011, ele é acusado de abusar de centenas de pessoas, na maioria crianças, em 41 anos de carreira.
Segundo a publicação, o relatório final da Justiça sobre o caso, feito pela ex-integrante da corte de apelações Janet Smith, revelará que os executivos da BBC sabiam do comportamento do apresentador e não tomaram nenhuma providência.
O documento não deve incluir o número de vítimas do ex-apresentador. A polícia afirmou em janeiro de 2013 que 214 pessoas haviam sido estupradas ou molestadas pelo animador, mas integrantes da comissão de investigação disseram ao “Observer” que o número pode passar de mil.
Embora tenham provas do envolvimento de executivos e funcionários da emissora, a comissão se diz frustrada por não poder punir Savile e seus cúmplices. O relatório mostrará que o pico dos abusos sexuais foi nas décadas de 1960 e 70, mas que os casos continuaram até 2006.
O escândalo foi detonado em outubro de 2012, quando um programa levou ao ar depoimentos de pessoas que diziam ter sofrido abusos por parte do animador dentro das instalações da BBC e nos hospitais nos quais ele fazia trabalho de caridade.
O caso atingiu em cheio a BBC, acusada de ter escondido denúncias. Desdobramentos levaram à queda de toda a cúpula da emissora.
A comissão ouviu mais de mil testemunhas e vítimas, incluindo as 138 que processaram o ex-apresentador e a BBC em busca de indenização. Em alguns casos, houve ganho de causa, mas a emissora pagou 50 mil libras (R$ 195 mil) aos afetados, valor considerado baixo pela defesa e investigação.