É preciso olhar para o que está acontecendo nas ruas de Bauru. Ao mesmo tempo que deveria se favorecer a mobilidade e a acessibilidade para as pessoas com mobilidade reduzida, o que está longe de se alcançar na prática, o que ocorre, de fato, é que as calçadas estão cada vez mais entregues aos carros e menos usáveis para o seu público-alvo: o pedestre.
Com efeito, em todas a zonas se tornando comerciais, rebaixam-se as guias para favorecer o estacionamento de carros, limitando-se, consequentemente, o trânsito de pedestres. Limitando, e muito, porque além dos carros terem de passar por cima do espaço teoricamente reservado ao pedestre, estes, cada vez maiores, não cabem no espaço reservado ao estacionamento, ultrapassando em boa parte na própria calçada, quando estacionados.
Falta de regras claras quanto ao dimensionamento necessário, falta de fiscalização das obras, desleixo dos órgãos, insolência dos donos de obras? Em todo caso, a situação que já é caótica devido ao estado geral das calçadas que são perigosas para o pedestre comum, se torna praticamente impossível para a pessoa com mobilidade reduzida, mesmo quando acompanhada. E raríssimos são os trechos da cidade cujas calçadas seriam praticáveis para um cadeirante.
Com a conquista a cada dia maior das calçadas pelos automóveis, a situação é totalmente absurda. É preciso uma investigação, bem como um olhar mais crítico e construtivo sobre esta questão!
Leila Tebet