08 de julho de 2026
Polícia

Corpo carbonizado é achado em Bauru

Por Cinthia Milanez | Especial para o JC com Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos/João Rosan

Corpo de Bombeiros foi acionado para a retirada do corpo

O mês de janeiro continua violento em Bauru. Ontem, o corpo de um homem, aparentando ter 20 anos, foi encontrado carbonizado às margens da linha férrea, no Centro. A vítima, que ainda não foi identificada, teve 60% do corpo queimado.

Após denúncia anônima, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi até a linha férrea na Nações Unidas, nas proximidades da linha férrea, e, ao encontrar o cadáver, acionou a Polícia Militar (PM) por volta das 12h.

Logo depois, a Polícia Civil foi chamada. De acordo com o delegado Kleber Granja, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a polícia trabalha com a forte possibilidade de este caso ser o 6º homicídio do ano em Bauru (leia mais abaixo).

“Pelo local em que o corpo foi localizado e pelo estado, a principal hipótese é mesmo de que seja homicídio. Ainda estamos trabalhando com outra possibilidade, mas é bastante remota”, aponta o delegado.

Segundo o delegado, o homem apresentava queimaduras de 3º e 4º graus que atingiram a cabeça, o tórax e os órgãos genitais. “O que foi possível perceber foi que o fogo começou pela cabeça. Por isso, a identificação visual ficou comprometida”.

Testes periciais serão realizados para apontar a hora da morte, contudo, pelo estado do corpo, estima-se que o óbito tenha ocorrido entre 20 e 24 horas antes de o cadáver ser encontrado.

A reportagem visualizou alguns ferimentos na região do trapézio da vítima, contudo, justamente pelo fato de ter sido carbonizado, o delegado Kleber Granja é cauteloso em apontar o que causou as lesões. “Como houve a carbonização, é difícil apontar se foi por conta do fogo ou se foram ferimentos causados por um objeto contundente”.

Outra incógnita é se a vítima foi morta na linha férrea ou apenas desovada ali. “O que dá para ter certeza é que ele foi carbonizado naquele ponto. Não dá para saber ainda se ele foi morto em outro ponto e, depois, levado para a linha férrea e queimado”.

Cachimbo de crack onde o corpo foi encontrado, em um ponto de usuários da droga

Cachimbo

Granja acrescenta que o ponto em que o corpo foi encontrado é bastante frequentado por usuários de drogas, além de ser um local em que muitos deles trocam produtos furtados ou roubados por crack.

A Polícia Científica esteve no local e realizou a perícia para definir a causa da morte do homem. Entre os materiais encontrados próximos ao corpo, estavam duas latinhas queimadas, possivelmente utilizadas como cachimbos para o consumo de crack.

“Em uma delas foi, inclusive, achado um pouco de sangue. Esse material pode ser da vítima ou até mesmo do agressor”, explica o delegado Kleber Granja.

O próximo passo agora será tentar a identificação do corpo por meio de coleta de material biológico para confrontação futura de DNA e do cruzamento de dados com o banco de pessoas desaparecidas.

O laudo pericial ficará pronto dentro de 30 dias. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru pelo Corpo de Bombeiros.


Janeiro violento

O corpo carbonizado do homem entra para uma estatística preocupante: seria o 6º homicídio somente em 2014. O início de ano violento em Bauru já cria a média de um assassinato a cada 3,5 dias.

No caso mais recente, o padeiro Albino Soares Riberio, 51 anos, foi encontrado morto no último domingo em uma área verde às margens de uma estrada de terra, no bairro Pousada da Esperança II. Ele estava com um saco plástico na cabeça e apresentava ferimento profundo causado por faca no lado esquerdo do peito.

“O crime de homicídio é de difícil prevenção. Não dá para dizer que há uma tendência ou algo parecido. É um crime eventual”, explica o delegado Kleber Granja.

Em entrevista publicada no último dia 9 pelo JC, o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 4 (Deinter-4), Benedito Antônio Valencise, falou sobre os recentes homicídios e apontou preocupação com a falta de tolerância das pessoas.  

“Antes, a maioria dos casos era por acerto de dívida de drogas. Agora, é surpreendente o número de mortes por motivo fútil, por desavenças banais entre homem e mulher, vizinhos ou funcionários de uma empresa. O que a gente vê é que as pessoas estão agindo de forma impensada, sem medir as consequências. Mas os casos estão sendo esclarecidos e os autores, presos”, declarou, na ocasião.