10 de julho de 2026
Nacional

Empresas suspeitas de cartel não colaboram, diz Alckmin

Por Gabriela Terenzi | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou, na manhã desta quarta-feira (22), que está comprometido com as investigações sobre o pagamento de propina em contratos com o Estado, mas acrescentou que as empresas envolvidas não estariam colaborando com o caso.

 

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Geraldo Alckmin  afirmou que está comprometido com as investigações sobre o pagamento de propina em contratos com o Estado, mas acrescentou que as empresas não estariam colaborando com o caso

"O diretor da empresa [Alstom] disse que houve pagamento de propinas em 1998. A empresa nega e é preciso investigar. Essa investigação está sendo feita pelo próprio Estado. Nós chamamos as empresas na controladoria [Controladoria-Geral do Estado] e não compareceram. Por isso, inclusive, nós entramos na Justiça. E tem, também, a investigação do Ministério Público e da Politica Federal", disse Alckmin.

 

A reportagem revelou hoje que a direção da Alstom na França autorizou o pagamento de propina de 15% sobre um contrato de US$ 45,7 milhões (R$ 52 milhões à época) para fechar um negócio com uma estatal paulista em 1998, segundo depoimento à Justiça do ex-diretor comercial da multinacional, o engenheiro francês André Botto.

 

O conteúdo do depoimento sigiloso, obtido pela Folha, traz pela primeira vez o reconhecimento de um diretor da Alstom de que houve suborno para conquistar o contrato com a estatal. Na época, o Estado era governado por Mário Covas (PSDB).

 

Botto, que era responsável na França pela parte comercial do contrato brasileiro, contradiz o que a filial brasileira da Alstom repete desde 2008: que a empresa nunca pagou suborno e que colabora com a apuração.

 

"O negócio era muito importante para a Alstom. Era importante ganhá-lo por meio de acordo e evitar uma licitação. Tivemos de pagar comissões elevadas, da ordem de 15% do contrato", contou Botto ao juiz Renaud Van Ruymbeke, em 2008.

 

A Alstom nega o pagamento de propinas para obtenção do contrato com a estatal paulista EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) em 1998. Em nota, a multinacional diz que "manifesta seu veemente repúdio quanto às insinuações de que possui política institucionalizada de pagamentos irregulares para obtenção de contratos".

 

CPI

 

Questionado sobre a contribuição que a eventual abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no âmbito da Assembleia Legislativa de São Paulo poderia dar as investigações, o governador se limitou a dizer que não cabe a ele tal tarefa. "A Assembleia é um órgão autônomo, ela tem decisão própria", concluir o governador.

 

Contudo, a base de sustentação do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa barrou as investigações sobre cartel na Assembleia e conseguiu blindar o Palácio dos Bandeirantes.

 

Sem número suficiente de deputados para instalar uma CPI, a oposição tentou convocar autoridades, empresários e consultores envolvidos com o cartel a prestar depoimentos em duas comissões. Desde agosto, foram apresentados 38 requerimentos para que fossem chamadas 26 pessoas. Dessas, só três foram ouvidas pelos deputados.