09 de julho de 2026
Internacional

Opositores erguem barricadas e tomam prédios estatais na Ucrânia

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Os manifestantes da oposição da Ucrânia levantaram mais barricadas nas ruas e um prédio de um ministério, nesta sexta-feira (24), em Kiev. As ocupações acontecem em meio à tensão na praça da Independência, centro dos protestos contra o presidente Viktor Yanukovich.

 

Apesar do clima de tensão, foi mantida a trégua pedida pelo campeão mundial de boxe e líder opositor, Vitaly Klitschko, na noite de ontem. Ele pediu aos manifestantes que não enfrentassem a polícia até sábado, à espera de que o governo ceda nas negociações que mantém com a oposição desde quarta.

 

A reunião de ontem entre a oposição e Yanukovich terminou sem acordo. Durante a madrugada, cerca de mil manifestantes, em sua maioria mascarados, começaram a erguer barricadas com sacos de areia cobertos de neve na praça da Independência e na rua Grushevski, onde se concentraram os combates desde quarta.

 

Em seguida, tomaram sem resistência o Ministério de Agricultura, permitindo aos funcionários que retirassem seus objetos pessoais e deixassem o prédio. No interior do país, opositores ocuparam as sedes dos governos locais de Cherkasy, no sul ucraniano, e Rivne e Lviv, no oeste do país.

 

Os manifestantes querem a renúncia do gabinete do primeiro-ministro Mykola Azarov, eleições presidenciais antecipadas e o fim de uma lei que limita os protestos, motivo que levou à mobilização iniciada na semana passada.

 

Os atos contra o governo acontecem desde novembro, quando o presidente rejeitou um acordo com a União Europeia, após pressão da Rússia. No entanto, diminuíram quando Moscou anunciou um resgate financeiro e a redução do preço do gás, em dezembro.

 

Negociações

 

As barricadas foram montadas após o fracasso do segundo dia de negociações entre a oposição e o governo. Os líderes dos protestos conseguiram apenas a promessa de que a polícia soltará os 70 manifestantes detidos desde domingo, contanto que terminem os confrontos e sejam liberados os prédios ocupados.

 

O líder opositor Vitaly Klitschko mostrou-se frustrado com o resultado da conversa. "Horas de conversas foram gastas para nada. Não há sentido se sentamos para negociar com alguém que já decidiu te enganar. Espero realmente que não haja uma chacina. Eu sobrevivo, mas temo mais mortes."

 

Antes do encontro, o presidente Viktor Yanukovich convocou uma reunião extraordinária do Parlamento para discutir as demandas dos opositores, que deve acontecer na próxima terça. Apesar das negociações da Presidência, o primeiro-ministro Mykola Azarov afirmou que o governo "é vítima de um golpe de Estado".

 

A crise continua a preocupar a comunidade internacional. Na quinta, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse a Yanukovich que a continuação da repressão aos protestos "poderá ter consequências" e pediu o diálogo. Já a França convocou o embaixador ucraniano em Paris para condenar a ação policial.