Nelson Rett, aos 62 anos, decidiu abrir uma lanchonete na quadra 4 da rua Carlos Marques, no Jardim Bela Vista, há 90 dias. Desde então, a água vem e volta das torneiras, deixando a louça acumulada e o comerciante apreensivo.
Toda a renda mensal de Rett vem do novo negócio. A falta de água, porém, está espantando os clientes, uma vez que o comerciante não consegue lavar a louça, muito menos o estabelecimento.
“Eu pago água, mas recebo ar. Eu não tenho borracharia, tenho uma lanchonete. Não sei mais o que eu faço. Mal abri o negócio e o atendimento aos clientes já está precário”, lamenta.
Rett acrescenta que está dando um “jeitinho brasileiro” para se virar na lanchonete. Ele tem pratos de reserva para servir os salgadinhos, mas os copos estão em falta. Diante disso, os clientes têm de tomar refrigerante em recipientes de plástico.
“É muito chato isso. Além desse problema com a louça, tem a própria lanchonete. Ela está muito suja, não consigo lavar, só varro. Quem consegue comer em um estabelecimento como esse?”, desabafa.
Geisel
Pelo visto, o comerciante não é o único a sofrer com a falta de água. Sandra Alves da Costa, 54 anos, vive com a filha e o marido na quadra 3 da rua dos Limoeiros, no Núcleo Presidente Geisel, há mais de quatro anos.
Sandra explica que, desde que mudou para lá, dá para contar nos dedos os dias em que o abastecimento de água estava normalizado. “Eu saio cedo, volto à noite do trabalho e não consigo nem tomar um banho. A água vai embora de manhã e só volta na madrugada do dia seguinte”, frisa.
Sandra, que é cabeleireira, enfrenta o mesmo problema no salão que trabalha há cinco anos. O estabelecimento fica na quadra 30 da rua Rio Branco, na Vila Mariana. Em menores proporções do que na própria casa, Sandra sofre com o desabastecimento de água lá também.
“A água nos chuveiros dos lavatórios vem muito fraca. Demoro mais tempo para lavar o cabelo de um cliente, por exemplo. Não é justo isso, eu pago as contas em dia e nem no trabalho tenho acesso à água”.
Soluções
Em nota, a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) comunicou que, no caso da lanchonete do Jardim Bela Vista, o problema pode ser localizado, mas garantiu que um servidor irá ao local para verificar a situação.
Além disso, um vazamento de água subterrâneo, anteontem à tarde, em uma rede de quatro polegadas na quadra 2 da rua Alves Seabra, na Vila Seabra, pode ter prejudicado ainda mais o abastecimento da região, uma vez que o reservatório é o mesmo. Os serviços foram concluídos na tarde de ontem e a distribuição deveria voltar ao normal no decorrer do dia.
Em relação ao problema na casa de Sandra, no Geisel, a assessoria informou que o alto consumo da população, desencadeado pelo forte calor, deixa o reservatório da região com nível baixo no período da tarde.
Na Vila Mariana, onde o abastecimento vem do reservatório da Praça Portugal, que recebe água da Estação de Tratamento de Água (ETA), a situação também pode ser localizada. Um técnico da autarquia ficou de ir até o local para verificar se há vazamentos ou outras irregularidades que impedem a chegada da água.
Por ser um estabelecimento comercial, o consumo de água é um pouco maior. Diante disso, o DAE recomenda que a proprietária verifique a caixa d’água de acordo com as suas necessidades.
Serviço
O DAE orienta a população a economizar água, ressalta a importância de evitar desperdícios, principalmente em épocas mais quentes, e disponibiliza caminhões-pipa por meio do telefone 0800-7710195, que recebe ligações apenas de telefones fixos, ou (14) 3235-6140, para ligações feitas por aparelhos celulares.