A Secretaria da Segurança Pública informou que irá investigar os policiais envolvidos na ação que resultou em disparos que acertaram o peito e a virilha de um jovem que participava do protesto contra a Copa do Mundo, sábado, em São Paulo.
Segundo a pasta, o caso está sendo analisado pela Corregedoria da Polícia Militar e também pela Polícia Civil.
Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves, 22 anos, foi encontrado com três tiros - dois no peito e um na virilha -, na esquina da rua Sabará com a rua Piauí, rodeado por um grupo de pelo menos quatro policiais militares. Segundo a polícia, o rapaz foi atingido duas vezes.
A reportagem apurou que policiais levaram Chaves à Santa Casa por volta das 22h30 de sábado. Ele foi encaminhado para o centro cirúrgico e operado durante a madrugada. Segundo informações da Santa Casa estava em coma induzidos e passou, na manhã de ontem, por uma segunda cirurgia.
Aluno modelo
Fabrício é aluno da Etec (Escola Técnica) Getúlio Vargas, uma das mais tradicionais de São Paulo, com 104 anos e vários alunos premiados em olimpíadas nacionais.
Além de fazer curso técnico em engenharia ambiental na Etec, o rapaz trabalha como estoquista nos Armarinhos Fernando, na rua 25 de Março, e deseja se formar em engenharia.
“O Fabrício é um cara calmo, que começou a ir às ruas em junho, por achar errado aumentarem a tarifa do transporte”, diz Gabriel Galileo Chaves, 24 anos, irmão do manifestante.
O jovem curtia páginas “black bloc” no Facebook e participou de diversos protestos e nunca se envolvia em “nada perigoso”.
Segundo a PM rapaz baleado resistiu à prisão
O boletim de ocorrência registrado no 4º DP pelos policiais militares que atiraram contra o rapaz durante o protesto diz que o jovem resistiu à prisão e agrediu os PMs antes de ser atingido pelos disparos.
Segundo a versão contada pelos PMs, a ocorrência começou na rua Consolação. Chaves estava acompanhado de um amigo quando foi abordado pelos policiais. Ele, de acordo com o boletim, tentou fugir.
Após a fuga, Chaves foi contido e os PMs começaram a revistar sua mochila e encontraram um artefato explosivo feito em meia lata de cerveja. No momento em que os PMs revistavam a mochila, o rapaz fugiu novamente e um policial, que tentou conter a nova fuga, sofreu uma torção no braço e precisou ser socorrido.
Outros dois PMs continuaram a perseguição e Chaves chegou até um posto de combustível. Lá, segundo a versão oficial, ele pegou um estilete que estava no bolso da calça e se voltou contra os policiais. Novamente em fuga, Chaves, chegou até a rua Sabará, em Higienópolis, parou e atacou um dos PMs que havia perdido o equilíbrio no desnível da calçada. Foi neste momento que os policiais atiraram e o jovem caiu.
Outra versão
Testemunhas ouvidas pela reportagem, porém, contam versão diferente. O estudante teria, sim, tentando fugir, mas ao ser alcançado foi baleado rendido. Dizem que o jovem se debateu ao ser imobilizado, mas não tentou atacar o policial.
Um vídeo mostra o rapaz ferido encostado em uma árvore enquanto espera a chegada do socorro. Também é possível ver a reação dos policiais.
Repercussão internacional
A imprensa estrangeira também destacou o protesto em São Paulo contra a Copa do Mundo e a reação da polícia.
Em sua página na Internet, o jornal “The Guardian” relata que mais de 1.000 pessoas foram às ruas e que boa parte do protesto foi pacífica, mas que “mais tarde houve confronto entre policiais e manifestantes”
A publicação também destacou a ação de “black blocs”, que “atacaram um carro vazio da polícia e incendiaram outro veículo”, e a reação da PM, que “respondeu usando gás lacrimogêneo e balas de borracha”.
O protesto no Rio de Janeiro também foi citado na reportagem.
O site da rede britânica BBC também noticiou as manifestações pelo Brasil, destacando que, em São Paulo, o protesto obrigou “as autoridades locais a cancelarem parte dos eventos dos 460 anos da cidade”.