09 de julho de 2026
Articulistas

"Missão"

Sinuhe Daniel Preto
| Tempo de leitura: 2 min

É chegado o final da missa, poucos acharam ou ninguém achou que foi um "missão", que demorou demais, que se pensava não ter fim aquele encontro com Deus. Ainda que mais curto que uma partida de futebol ou que os filmes de Tarantino, Spielberg ou Scorsese, missa demora, não acaba na hora, não dá para ir embora! Para raros e entediados, era uma missão, árdua missão ficar sentado a ouvir um padre falar, é a mesma ladainha, não muda, já sei de cor e salteado! Entretanto, e entre tantos, foi um "missão", que missa "da hora", nunca se havia ouvido a homilia ser tão família, raramente se sentira a presença de Deus tanto como naquele dia, o domingo virara a primeira feira e não pedia cachimbo, pedia reflexão, união, solidariedade, paz, na hora do "Graças a Deus", não houve mais duplo sentido, sim, porque para muitos o fim da missa é um "graças a Deus" que acabou e não dar Graças ao Pai, mas naquele domingo a frase final da missa que foi comunhão, que foi paz, era de agraciar a Deus!

E muitos, ao final da missa, pensaram em fazer "Em nome do Padre", sim, padre Ricci, teólogo, professor, amigo, padre, sãopaulino, abençoado, altruísta, socialista, gente boa, direto, solícito, irmão, fiel, benigno, caridoso, padre! Padre Ricci faz-nos crer que há ainda bondade no mundo que o "rogai por nós" chega ao Pai Celestial, que há a enchente da tragédia, mas há o sereno que umedece a folha da árvore, que há o ladrão, mas que há o corrupto que fez o ladrão, que há o ser que quer ser, que há o marginal que não está às margens plácidas, que há a fome, mas que há o homem que com o mal some e o que o bem consome, há o mundo e o imundo, há trevas e luz!

As metáforas de padre Ricci levam-nos a questionar antíteses, um dualismo existencial, a escolha do bem contra o mal é ou não semelhante a cada semelhante, a Igreja de São Cristóvão tem o santo que carrega Cristo e o padre que conduz seus fiéis, o seu "Fica conosco, Senhor!" parece nos induzir a tocar a esperança, uma vez que dentro de um universo sem verso e prosa, em que os juros não são em vão ou por Deus, mas pelo vil metal, a missa do padre Ricci conforta-nos, a partir do fim da celebração que foi um meio, tem-se a certeza de que é possível um começo.

Há tempos, na missa do padre Ricci, o "jornalzinho" "Deus Conosco" não é mais um folheto, é um título, uma epifania, será que o lemos realmente? Padre Ricci ministra uma aula a cada missa, com premissa, nunca submissa, mas A Missa! Ele é um professor-confessor! Padre Ricci, vinde em paz e o Senhor que o acompanhe! Graças a Deus!

O autor, Sinuhe Daniel Preto, é um cara que não deu adeus a Deus!