O comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, Benedito José Meira, afirmou ontem que, com base nas informações que dispõe, os policiais que atiraram em um jovem durante os protestos do final de semana agiram em “legítima defesa”.
O estudante Fabrício Proteus Nunes, 22 anos, foi atingido no peito e na virilha, na esquina das ruas Sabará e Piauí, em Higienópolis. Internado na Santa Casa, ele está em estado grave e respira com a ajuda de aparelhos. “Os policiais estavam na rua Consolação abordando pessoas quando decidiram falar com os dois jovens. A polícia deu ordem para que parassem, mas eles decidiram correr”, afirmou Meira em entrevista à rádio “CBN”.
Segundo o comandante-geral, na mochila do jovem que acabou se entregando havia uma chave de grifo, um estilete, máscaras, um explosivo e combustível. O outro jovem tentou escapar e foi perseguido por dois policiais. De acordo com o comandante, ele ameaçou ferir os PMs com um canivete.
“Nas imagens gravadas, é possível ver o policial que cai quando o jovem vai para o lado dele com um canivete. Foi aí que o PM fez dois disparos, um que atingiu a virilha e o outro a clavícula do rapaz. Os dois disparos foram de baixo para cima. Uma pessoa caída, que poderia ser agredida, para evitar uma injusta agressão, fez os disparos.”
Para Meira, “não houve excesso” e será analisada pela Corregedoria em investigação a proporcionalidade da reação dos PMs e se eles tinham outros meios de reagir. “A ação está respalda no direito penal como legítima defesa. Seria diferente se o policial tivesse feito dez, doze disparos no rapaz. Pelas informações que tenho, pelas imagens, ele não tinha outra forma de reagir que não com a arma de fogo.”
O comandante afirmou que “bandidos” estão infiltrados entre os manifestantes e que reações mais enérgicas da polícia visam coibir as ações desses grupos. Ele explicou também que a PM voltou a usar bala de borracha porque “os vândalos” voltaram a agir. “O único instrumentos que temos para restabelecer a ordem, em determinadas situações, para impedir vandalismo, para impedir que policiais sejam agredidos, é a bala de borracha.”
Jovem sai do coma induzido
O rapaz que foi baleado pela Polícia Militar de São Paulo no sábado em um protesto contra a realização da Copa do Mundo saiu do coma induzido pelos médicos. No entanto, seu estado continua grave e ele respira com a ajuda de aparelhos.
Segundo a Santa Casa, hospital onde ele está internado, o jovem passou por quatro cirurgias.
O estudante Fabrício Proteus Nunes, 22 anos, foi ferido a tiros pela PM, no peito e na virilha, na esquina das ruas Sabará e Piauí, em Higienópolis.
A polícia alega que os tiros foram disparados em legítimas defesa, após o estudante tentar agredir um dos policiais com um estilete. A Corregedoria da PM vai investigar a conduta dos policiais no episódio.
Imagens de câmeras de segurança exibidas pelo “Fantástico”, da Rede Globo, mostram dois PMs perseguindo Fabrício na rua.
Ao ser alcançado, ele se volta contra um dos policiais, que cai. O jovem então cai sobre ele, mas não é possível saber se ele tentou agredir o PM ou se já havia sido atingido por um dos tiros.
As imagens também são inconclusivas sobre o momento exato dos disparos e se Fabrício tinha um estilete nas mãos, como relatam os PMs.
Em seguida, o vídeo mostra Fabrício cambaleando, antes de cair novamente.
Em boletim de ocorrência registrado no 4.º DP (Consolação), os PMs confirmam ter atirado no rapaz, mas dizem que, antes, ele resistiu à prisão e agrediu policiais.
Familiares de Fabrício não souberam dizer se ele portava um estilete no sábado, mas contaram que ele costumava andar com o instrumento, pois trabalha como estoquista na rua 25 de Março e o utilizava para abrir caixas.