10 de julho de 2026
Nacional

Três em cada 20 com mais de 65 anos não têm aposentadoria

Com Agências
| Tempo de leitura: 2 min

Arquivo JC

Em 2050, somente sete em dez adultos em idade de se aposentar terão poupado para isso

No Brasil, três em cada 20 pessoas com mais de 65 anos não tem aposentadoria e 40% dos trabalhadores não economizam para isso. Tais dados fazem parte de um “raio X” do cenário previdenciário brasileiro, apresentado ontem pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) dentro do estudo “Melhores aposentadorias, melhores trabalhos - em direção à cobertura universal na América Latina e no Caribe”.

O trabalho aponta também que a maioria dos aposentados brasileiros recebe, em média, US$ 20 ou menos por dia; que menos de três em cada dez trabalhadores autônomos estão poupando para a aposentadoria; que 25% dos trabalhadores da classe média são informais e que menos de três em cada dez trabalhadores autônomos estão poupando para a aposentadoria.

Para o futuro, o horizonte é sombrio. Conforme o estudo, em 2050 quadruplicará o número de pessoas com 65 anos ou mais. Mas, em 2050, somente sete em cada dez adultos em idade de se aposentar terão poupado para alcançar esse objetivo. Ou seja, entre 15 e 22 milhões de pessoas não terão economizado para a aposentadoria quando o ano de 2050 chegar.

Hoje, para cada aposentado há dez trabalhadores potenciais. Em 2050 essa proporção cairá para um aposentado para cada três trabalhadores potenciais, ou seja, haverá menos gente apta a financiar o sistema previdenciário. O estudo foi elaborado pelos pesquisadores Mariano Bosch, Ángel Melguizo e Carmen Pagés. O trabalho foi lançado em parceria com o Ministério da Previdência Social (MPS).

Os pesquisadores do BID alertam que há dois objetivos principais dos sistemas previdenciários. O primeiro é fornecer uma renda “suficiente” para atender às necessidades básicas dos idosos, ou seja, evitar a pobreza na terceira idade. Em segundo lugar, evitar quedas acentuadas na capacidade de consumo ao atingir a idade da aposentadoria, a chamada “suavização do consumo”, que pode gerar impactos negativos no mercado interno. Segundo o estudo, a aposentadoria também é importante para a redução da pobreza, especialmente no Uruguai, no Brasil e na Argentina.

O trabalho aponta que uma das grandes inovações das últimas décadas na região foi a expansão, “sem precedentes”, das aposentadorias não contributivas.