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João Rosan |
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Jonas Prado, 78 anos, conta que até subiu em muros de desmanches para tentar achar o Santana |
Um reencontro emocionante após 843 dias. Não, não se trata de mais um dos tantos casos de familiares separados por anos. O personagem principal desta reportagem é um Santana 91/92, que foi furtado no dia 20 de outubro de 2011. O veículo ficou no pátio da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) todo esse tempo e o dono nunca foi comunicado.
O Santana, placas BLC-6615, foi furtado da borracharia que já atravessa três gerações nas mãos da família. “Arrombaram os cadeados do estabelecimento e levaram o carro de madrugada. Até guardamos esse cadeado quebrado”, conta Adilson Levorato, 55 anos. “Além de pegar o carro, ainda encheram ele com pneus da borracharia e levaram também”.
Foi então que a família registrou a ocorrência policial e começou uma grande procura pelo veículo. “Eu rodava tudo que é desmanche para tentar achar esse carro. Procurava em todos e nadinha. Chegamos até a oferecer uma recompensa de R$ 1 mil para quem o encontrasse”, explica Adilson.
Seu pai, Jonas Prado, 78 anos, também ajudou nas buscas. “Eu queria muito achar o carro. Tanto que, em todo desmanche que passava, ficava olhando para ver se ele estava lá. Por todo esse tempo procuramos. Chegamos até a subir em muro de desmanche para espiar se o carro não estava ali”, disse o dono do veículo.
Porém, para a surpresa da família, o veículo não estava em nenhum desmanche. Enquanto todos procuravam feito loucos, o automóvel estava guardado. E muito bem guardado. O Santana, que era usado na oficina para fazer o socorro de outros veículos, esteve por todo esse período na Ciretran.
Por acaso
Conforme consta no boletim de ocorrência (BO) de recolhimento, o carro foi encontrado pela polícia dois dias após o furto. Segundo o registro, o Santana foi achado na quadra 7 da rua Ezequiel Ramos, ou seja, bastante perto de onde havia sido levado pelos bandidos.
“Como ninguém nos avisou? Não dá para acreditar nisso. É um absurdo. Tivemos um prejuízo enorme sem esse carro”, reclama Jonas Prado.
O reencontro veio somente agora. E, mais de dois anos depois, o automóvel, curiosamente, foi achado somente por causa de outro crime.
É que um amigo da família também teve o carro roubado. Com isso, ele foi até o pátio da Ciretran para ver se havia algum veículo em leilão e, ao ver o Santana, não teve dúvidas: era o veículo do seo Prado.
“Eu nunca mais esperava ver esse carro. Achei que já tinha sido desmontado inteirinho. Encontramos ele agora. Até com as ferramentas que ele estava quando foi levado”, completa.
Hoje, será feita a vistoria no veículo. Se tudo estiver correto, o Santana vai, após 843 dias, voltar para seu antigo lar.
200 permanecem
O dono do pátio da Ciretran, Mário Martins, revelou à reportagem que é comum as vítimas não saberem que seus veículos foram recuperados. E ele ainda fez uma estimativa curiosa: a grande maioria dos carros recolhidos acaba ficando no pátio.
Martins aponta que recebem o local recebe uma média de 300 veículos anualmente. Desses, ele estima que 200 permanecem.
Família está indignada por polícia não ter informado que carro foi recuperado
O reencontro do carro foi um misto de felicidade e indignação. A família não se conforma como um veículo é recuperado dois dias após ser furtado e os proprietários não são comunicados sobre o fato. “Ficamos todo esse tempo sem o nosso carro. Como isso é possível?”, questiona Adilson Levorato.
A família promete acionar a Justiça para ser indenizada pelo que ocorreu. Quando o Santana foi furtado, eles precisaram financiar uma caminhonete para substituir o antigo carro de serviço.
O pai de Adilson, Jonas Prado, vai além. Ele usa sua situação para alertar várias outras vítimas de carros perdidos. “Os carros de quantos proprietários podem estar lá? Vou querer saber o que aconteceu”.
De acordo com Mário Martins, sócio-proprietário do pátio, a responsabilidade de informar as vítimas sobre veículos perdidos é da polícia. “Quem tem que avisar é o delegado que faz o boletim de ocorrência”, aponta.
Detran
Quando carros ficam mais de 90 dias no pátio, Mário Martins ainda manda uma relação ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran) para que o órgão tome as providências para leiloá-los.
O delegado Roberval Antônio Fabbro, coordenador da Central de Polícia Judiciária (CPJ), confirma que a responsabilidade de comunicar os donos é mesmo da Polícia Civil. Ele explica que, atualmente, há um departamento só para fazer essa comunicação.
Contudo, quando o caso ocorreu, ainda não havia a aglutinação da Polícia Civil de Bauru na CPJ e cada Distrito Policial (DP) ficava responsável pela comunicação. “Se ocorreu alguma falha, a Polícia Civil vai apurar e responsabilizar o culpado”, destaca Fabbro.