08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Frigideira urbana


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A quadra 8 da rua Manoel Bento Cruz ganhou uma portentosa clínica particular. Para isso, a Semma autorizou o corte de três sibipirunas de grande porte, que sombreavam metade da quadra, do lado que sequer tinha fiação e, depois de a Seplan autorizar o rebaixamento, aquilo virou uma frigideira de concreto. Para "compensar" o corte das imensas árvores, foram plantadas três moitas que nunca passarão de 2m de altura e sequer fazem sombra a selim de bicicleta.

Este é um dos muitos exemplos da rotina na área central da cidade, onde se acumula cerca de 450 guias rebaixadas, a grande maioria de forma irregular. A cada novo rebaixamento, mais árvores são cortadas e, raríssimas vezes, algum miserável arbusto é recolocado na calçada. Por conta disso, a já quente cidade de Bauru vai se tornando cada vez mais um forno desumano, desproporcional com a lógica e o respeito para com o Meio Ambiente e o cidadão. Os pedestres, pobres mortais, não apenas ficam sujeitos ao calor tórrido das calçadas, mas ao abuso de veículos estacionados sobre as mesmas, que os obriga a desviar-se para a rua. Se isso já é um estorvo a qualquer pessoa, que se dizer do deficiente físico-visual? E os idosos ou cadeirantes?

Sem qualquer tipo de censura, fiscalização ou retaliação da irresponsável Seplan, que se omite de forma indecorosa, calçadas são surrupiadas para o patrimônio particular, expropriadas do poder público, onerando inclusive o caótico trânsito de nossa cidade na medida em que suprimem vagas públicas, para transformarem-nas em "vagas privativas de clientes".

O que mais impressiona é a total ausência da Semma em qualquer projeto de revitalização do verde. Praças públicas, canteiros centrais, calçadas ou qualquer lugar onde apenas o sol se faz presente, não se encontrará ninguém daquela Secretaria. Até o JC já divulgou a total ausência da Semma nos despercebidos "Dia da Árvore". Pelo contrário, ironicamente se tem a impressão que os vencimentos de seus gestores são feitos por metro cúbico de madeira cortada. Triste fim para a cidade cujo prefeito já foi considerado ambientalista. Literalmente, Bauru que se arda...

Ivan Goffi