As Forças Armadas da Ucrânia pediram ontem ao presidente Viktor Yanukovich que tome “medidas urgentes” para estabilizar o país.
O mandatário enfrenta há dois meses protestos da oposição, que pede sua renúncia após ele ter rejeitado um acordo com a União Europeia. Em comunicado no site do Ministério da Defesa, os militares, até então aparentemente neutros diante da crise, afirmaram considerar “inaceitável” a ocupação de prédios estatais e as tentativas de impedir o cumprimento das funções do Executivo.
A declaração levantou o temor de interferência militar na crise, seja na forma de um golpe, ou de repressão violenta aos protestos.
Ainda ontem, Yanukovich sancionou uma lei de anistia aos manifestantes detidos, condicionada ao fim da ocupação dos prédios.
A oposição rejeitou, porém, os termos da legislação e mantém prédios públicos em Kiev, bem como algumas sedes regionais de governo no oeste, sob seu controle.
Yanukovich assinou o texto mesmo em licença médica, pedida anteontem, supostamente devido a um problema pulmonar.
Também foi promulgada a revogação das leis que limitavam protestos e deram novo fôlego às revoltas populares no mês passado.
Tortura
A polícia da Ucrânia investiga a acusação feita pelo ativista oposicionista Dmitro Bulatov, 35 anos, de que foi mantido em cativeiro por mais de uma semana e torturado - sumido desde o dia 22, ele reapareceu anteontem à noite na periferia da capital do país, Kiev. Com o rosto e as roupas cobertas de sangue e marcas de agulhas nas mãos, o ativista afirmou que os sequestradores lhe deram socos e cortaram parte de uma orelha e do rosto, além de fincar as agulhas.