A decantada palavra "rolê", que pipoca em todas as manchetes dos grandes jornais, já chegou em Bauru. Tem-se tornado "bicho papão" de shoppings e magazines. Em princípio, o tema parece um neologismo derivado de um galicismo macarrônico, mas na realidade é verbete do Aurélio. Dar um rolê é dar uma volta, um giro, consequentemente rolezinho, que também está na mídia, é diminutivo do tal rolê.
Todavia, o fato é que as explicações do dicionário foram deturpadas. Sob a égide de rolezinho e convocados através de redes sociais da internet, grupos de manifestantes, compostos por maioria de jovens da periferia, se reúnem em shoppings fazendo protestos difusos sem objetivos palpáveis, causando pânico e provocando sérios danos às lojas e serviços ali oferecidos.
É um moderno fenômeno sociológico a ser analisado e interpretado.
O que se nota em princípio é que não há uma ideia central por trás deste movimento, muitos dos que participam o fazem por diversão e outros pelo único prazer de confrontação.
Em um artigo da Folha de S. Paulo, Alan Griff, entrevistando alguns dos participantes, colheu estas informações: "A molecada da zona leste está a fim de farra" ? "A brincadeira é catar umas minas, tirar umas fotos e rever os parceiros." Se bem que haja estes pronunciamentos, há convocações recentes para shoppings mais abastados, onde a ordem é a luta pela desigualdade social e econômica, o preconceito racial e toda forma de opressão. Analistas e cientistas sociais buscam um nexo entre os rolês atuais e as grandes manifestações públicas do ano passado. Os próprios integrantes de rolês não têm uma consciência da dimensão de seus atos.
Há um risco eminente e inegável: na esteira deste movimento pode entrar a temida adesão dos "Blacks Blocks", de setores universitários e entidades do terceiro setor que têm como objetivo a justiça social em todos seus níveis, o que vai dar uma gigante dimensão ao que está aí.
O desdobramento dos rolês e rolezinhos pode causar estragos em um ano de eleição. Como tal, está merecendo especial atenção dos governos municipal, estadual e federal...
João Álvares