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Éder Azevedo |
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Piscina do Sesc ficou cheia na tarde deste domingo |
A onda de calor no verão de janeiro, o mês que teve a média de temperatura mais alta em Bauru dos últimos 18 anos, “invadiu” fevereiro. Ontem, centenas de bauruenses buscaram refúgio contra o calor em piscinas de clubes sociais e de serviços da cidade. Entretanto, a mesma água que proporcionou frescor nas piscinas foi motivo de sofrimento em alguns bairros, como na parte alta do Núcleo Mary Dota.
A precariedade no abastecimento, conhecida da população há anos em alguns bairros, chegou também a algumas áreas do maior núcleo da América Latina. Com mais de 3.600 moradias, ainda do conceito antigo de habitação popular, o bairro não tinha problema no abastecimento até o ano passado. Mas desde setembro de 2013, conforme moradores, o líquido passou a ser precioso nas torneiras.
Na parte alta do Mary Dota, em ruas como a João Dal Médico, 1-187, a água só chega às caixas d’água durante a madrugada. Desde setembro do ano passado tem sido assim, segundo o aposentado Ricardo Wagner Ferreira de Souza. “Com este calor insuportável eu não tenho outra alternativa senão comprar muita água para beber, consumindo o apertado orçamento com mais esta despesa. Para tomar banho e fazer a limpeza da casa eu tenho de esperar a madrugada. Mas amanheceu, a água some da torneira”, cita.
Ricardo Wagner lamenta, ainda, que não há condições de ampliar a reservação. As moradias foram entregues com caixas d’água de 500 litros. “Mas não tem como ampliar porque a estrutura das casas não suportaria. Eu tenho uma caixa de 500 litros para mim e minha esposa e, nos fundos, onde há uma ampliação, outra de 500 litros para meu filho, a esposa dele e meus dois netos”, comenta.
O estranho, menciona o também morador do bairro Elias Júnior, é que na região os dois reservatórios davam conta do abastecimento. “Eu desconfio que como falta água por falta de investimento em outras regiões, passaram a utilizar água daqui para remanejar outros lugares. Cobre um cobertor e descobre outro e nós estamos sofrendo com esse calor gigantesco”, reclama.
Lazer molhado
De outro lado, a mesma água que falta em alguns bairros foi a “salvação” do domingo de muito calor para frequentadores de clubes sociais e de serviços. Eles lotaram as piscinas, por exemplo, do Sesc ontem à tarde.
A casal Eduardo Ferreira e Jéssica Naiara foram se refrescar pela primeira vez com o filho Eduardo Ferreira. A forte onda de calor precipitou o casal a se tornar sócio do Sesc neste verão. “É o primeiro domingo que a gente vem. O filho completou um ano e a piscina, além de ser ótima opção de lazer para ele, refresca.
Ao lado, o policial rodoviário Gustavo Jorge cuidava de repassar o filtro solar em Cauã Jorge, de cinco anos. “Nas férias a partir de janeiro eu trago ele bastante. Ele adora nadar e com esse calor insuportável é muito difícil ficar dentro de casa. Eu trago ele nos domingos e a esposa durante a semana”, conta.
Os jovens Ivan Júnior e Lilian Molina evitaram sair da piscina durante toda a tarde de ontem. Ela disse que frequenta o clube há 10 anos e ele há menos tempo. “Com essa temperatura é melhor não sair da água”, disse Júnior. Lilian diz que no verão vai frequência no clube. “Calor, lazer, piscina, descanso de domingo, tudo combina”, finaliza.
No sábado, o registro do Instituto de Pesquisas Metereológicas (Ipmet) de Bauru apontou 33,9 como máxima à tarde. No domingo, o sistema identificou o pico de 33,5 às 16h40. Neste verão, a temperatura mais alta foi registrada em 4 de janeiro passado (35,2), segundo o Ipmet.