09 de julho de 2026
Ciências

?Viagra? feminino em 2015: e agora?

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

Até 1980 quando se dizia “lua de mel” se lembrava imediatamente da cidade de Poços de Caldas no sul de Minas, quase divisa com São Paulo, uma cidade estância turística muito conhecida. “Lua de mel” era um período adaptativo para o casal que não tinha ainda uma vida sexual ativa. “Lua de mel” praticamente não existe, só ficou um resquício, uma coisa antiga e velha, como ferramenta comercial da indústria do turismo.

Nos EUA também existiu um destino turístico que ao falar o nome se relacionava imediatamente com a “lua de mel”: as cachoeiras de Niágara. O fabricante queria que o estimulante sexual recuperador da libido masculino tivesse um nome que imediatamente levasse o ouvinte ao sexo, casal, viagens. Nada melhor do que lembrar algo relacionado com a antiga “lua de mel”. Para se ter a mesma sonoridade de Niágara em inglês, criou-se o nome Viagra ou “Váigara”.

Niágara representa grandes cataratas localizadas entre os lagos Erie e Ontário, na fronteira entre o estado de Nova Iorque e a província canadense de Ontário, um dos destinos turísticos mais populares do século.  As Cataratas do Niágara constituem a mais volumosa queda d’água na América do Norte e são famosas pela beleza e valiosa fonte de energia hidrelétrica associada a um desafiante projeto de preservação ambiental.

O surgimento de medicamentos para a disfunção erétil provocou uma certa assimetria nas relações sexuais. Uma em cada duas mulheres brasileiras não tem o desejo sexual que gostaria de ter como revela o Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) da Faculdade de Medicina da USP no “Estudo Sexual da Vida do Brasileiro”, liderado pela psiquiatra Carmita Abdo. Mas esta assimetria está prestes a acabar: quatro medicamentos estão chegando no mercado para ajudar a mulher a ter prazer na cama!

Um “viagra” feminino estabelecerá um marco histórico na trajetória da mulher. A qualidade do sexo para as mulheres vai melhorar com ampla discussão sobre o seu modo de vida e autoconhecimento. Entre estes problemas estão o efeito do estresse, de relacionamentos ruins, educação recebida e religião. São quatro os estimulantes sexuais em pesquisa para as mulheres que em 2015 podem estar no mercado por R$50 cada comprimido.

ORL101 - Derivado da melatonina, é um hormônio multifuncional que atua como regulador do sono, mas em baixas concentrações inibe o desejo sexual. A empresa inglesa Orlibid anunciou em janeiro a realização de testes em voluntárias e prevê a venda em 2 anos. A empresa tem consultoria de Mike Wyllie, um dos cientistas criadores do Viagra. Em comprimidos pode provocar perda do apetite e quando injetável levar a náuseas. Há aumento da libido por duas horas se consumido 5 a 15 minutos antes do ato sexual.

Lybridos – Uma associação de 0,5mg de testosterona com 10 mg de buspirona. A testosterona motiva a mulher para o sexo e a buspirona atua no cérebro anulando os mecanismos de repressão e inibição sexual, pois diminui a quantidade de serotonina, um inibidor da libido. Está principalmente indicado para as mulheres com experiências sexuais negativas ou muito reprimidas. Está em análise pelo FDA, a agência estadunidense que libera a comercialização de remédios e alimentos. Ele atua por algumas horas.

Lybrido – A base da mesma substância do Viagra, a sildenafila, ele bloqueia a enzima PDE-5 e estimula o fluxo sanguíneo na área genital, intumescendo a vulva, preparando a mulher para o sexo. Associada a 0,5mg de testosterona, aumenta a libido da mulher por 4 horas por elevar a motivação sexual fisiológica, mesmo na pré-menopausa quando falta sensibilidade aos estímulos. O Lybrido e o Lybridos são produzidos pela Emotional Brain e criados pelo holandês Adriaan Tuiten.

Flibanserina – Aumenta a dopamina e a norepinefrina, dois neurotransmissores associados ao desejo sexual, e ao mesmo tempo diminui a quantidade de serotonina, um inibidor da libido. Sob análise do FDA, uma percentagem pequena de usuárias revelam sonolência, tonturas e náuseas, segundo a Sproud Pharmaceuticals que a fabrica.

Cada um desses remédios terão indicações e contraindicações que o médico analisará antes de receitar. Antes de tomar um desses remédios, a mulher fatalmente irá repensar e questionar qual o real motivo da perda da libido e tudo que estava debaixo do tapete pode ser explicitado e virar à tona.

O bicho pode pegar, vamos nos preparar!