O ano começou com velhas demandas na Câmara Municipal de Bauru. Durante a primeira sessão ordinária de 2014, ontem à tarde, os vereadores trataram de dois temas que irritaram os bauruenses no último ano e que seguem sem solução: a atuação dos “azuizinhos” na fiscalização do trânsito no Centro da cidade e a falta d’água, principalmente em bairros periféricos.
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João Rosan |
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Roberval Sakai e Carlão do Gás discutem a falta d’água |
Primeiro vereador a usar a tribuna, o presidente da Casa, Sandro Bussola (PT), atacou a forma de abordagem dos agentes de trânsito da Emdurb, os populares “azuizinhos”, que foram tema de matéria recente do Jornal da Cidade. Na ocasião, a reportagem denunciou abusos dos fiscais, que também aliviavam a situação para outros munícipes, em total falta de critério.
“O que está acontecendo em Bauru afasta as pessoas da região. Temos que repensar o papel dos agentes de trânsito na cidade, não é só multar, eles precisam acima de tudo orientar. Tem gente da região que reclama que vem a Bauru e leva como cartão postal uma multa e não quer mais voltar. Esse tipo de atuação dos azuizinhos está afastando os consumidores da região”, argumentou Bussola durante o uso da tribuna. “E eles (fiscais) andam sempre em dupla, é a dupla sertaneja de Bauru, o azul e o azulzinho”, disparou.
Os vereadores Markinho da Diversidade e Renato Purini, ambos do PMDB, também comentaram o assunto e corroboraram com o petista. Purini defendeu a revisão do trabalho dos agentes, dizendo que a postura deve ser mais de orientação. Já Roberval Sakai (PP) citou que já ocorreram casos em que carros foram guinchados e famílias tiveram o constrangimento de voltar a pé ou de ônibus.
Conversa com o balde
Outro tema citado por quase todos os parlamentares foi a falta d’água, especialmente nas regiões norte e noroeste de Bauru. Carão do Gás (PR) levou um balde vermelho e começou a dialogar com o objeto na tribuna. “Este balde é vermelho, a cor da vergonha por não proporcionar aquilo que gera vida com abundância, que é a água. Recebo reclamações do Parque Vista Alegre, Jardim Araruna, Santa Luzia, Mary Dota, Bauru I, Chapadão. Bairros onde não faltava água, hoje falta, e agora balde, o que vamos fazer? Quem tem caixa d’água ainda está se virando, e quem não tem?”, disse, durante seu discurso.
Depois, questionado pela imprensa, Carlão afirmou que o problema do Departamento de Água e Esgoto (DAE) transcende a questão partidária – sua legenda esteve à frente da autarquia durante quase todo o primeiro mandato do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). “Não é questão de ser PR, PT, PSDB ou PMDB. O DAE precisa ter uma gestão eficiente, independente de partido. E atualmente o nosso partido, o PR, não tem nenhuma indicação na diretoria da autarquia”, defendeu-se Carlão.
Descaso
O vereador ainda afirmou que a conversa com o balde foi para chamar a atenção sobre o problema. “A população já é sofrida neste país, e agora está sem água, por isso estamos cobrando. Conversei de forma metafórica com o balde para mostrar o descaso. Sabemos que já foram perfurados seis ou sete poços recentemente, mas quanto mais água produz parece que mais falta. Parece que falta uma gestão mais adequada ao DAE. Porém, não estou defendendo mudanças na autarquia”, reiterou.
Sakai e Faria Neto (PMDB) também falaram sobre o assunto. Já Roque Ferreira (PT) afirmou ter a relação dos maiores devedores do DAE, e que na lista estariam grandes empresas e corporações da cidade. “Quem mais pode pagar é quem dá o calote, e sempre sobra para o trabalhador. A cidade está crescendo de maneira desordenada, e o DAE não mostra um plano a curto, médio e longo prazo para solucionar a questão da falta de água”, afirmou durante seu discurso.
No final da sessão, cerca de 15 pessoas do Grupo Esperança Nova (Gesno), do Bairro Pousada da Esperança, um dos mais afetados pelo desabastecimento, estiveram no plenário e fizeram um rápido protesto.
Ilegalidade
Em rápida votação, os parlamentares aprovaram parecer de ilegalidade para 3 projetos de autoria de Jorge dos Santos, que ocupou cadeira no Legislativo durante curto período em 2013. Em todas havia vício de iniciativa, cuja propositura deveria partir do Poder Executivo.
Funprev e PCCS da Saúde são sobrestados
Em primeira discussão, o projeto de lei que altera vários dispositivos da Fundação dos Servidores Públicos Municipais Efetivos de Bauru (Funprev) foi sobrestado por uma função. O ponto de maior discordância diz respeito à emenda do vereador Raul Gonçalves Paula (PV), que exige nível universitário para membros do Conselho Curador. Também há polêmica quanto ao início do pagamento do novo valor de vencimento ao presidente da Fundação: a partir da publicação ou apenas na próxima gestão. Os parlamentares já definiram que o presidente seguirá sendo eleito pelo Conselho Curador.
Já as alterações no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos servidores da saúde foram sobrestadas por suas sessões. De acordo com o presidente da Câmara, Sandro Bussola, os vereadores querem apreciar alguns pontos. O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru e Região (Sinserm), Valdecir Rosa, não vê motivos para entrave na aprovação. “O Sindicato analisou as emendas e não haverá benefício mas também não há prejuízo, ninguém vai perder nada. Estamos vendo com bastante tranquilidade”, ponderou.