08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

"Educação para a responsabilidade"


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A presidente Dilma Rousseff esteve dias atrás em Davos, participando do Fórum Econômico Mundial. A ex-senadora Marina Silva, em artigo na Folha de São Paulo (31/01, pág. A2 opnião), intitulado "Distância", apresenta comentários críticos sobre a participação da presidente.

Inicia a ex-senadora ressaltando: todos concordamos com suas palavras: "A educação tem importância estratégica para reduzir a desigualdade social e ao mesmo tempo, alicerçar uma economia do conhecimento com tecnologia e inovação. Por isso, a educação está entre as prioridades, junto com a infraestrutura, o planejamento urbano, a estabilidade econômica e outras grandes questões definidoras do desenvolvimento do Brasil.

Prosseguindo, afirma a ex-senadora: "Cinco dias depois, a Unesco divulgou relatório que coloca o Brasil ? entre 150 países pesquisados ? em 8º lugar no número de analfabetos adultos. Eram 13,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais em 2012, segundo o IBGE. É quase impossível reduzir a taxa de analfabetismo entre adultos, de 8,7% naquele ano, para os 6,7% fixados nas metas da ONU para o ano que vem".

Ontem, afirma a ex-senadora, "lemos nos jornais os investimentos do Ministério da Educação caíram 13% de janeiro a novembro de 2013 em relação ao mesmo período do ano anterior. O noticiário nos avisa também que a equipe econômica estuda reduzir ainda mais o orçamento da pasta para que o governo recupere a credibilidade perdida desde que foram revelados para fechar as contas no fim do ano".

Para completar, diz a ex-senadora: "No mesmo dia do discurso em Davos, o governo anunciou o cancelamento da Conferência Nacional de Educação (Conae), que aconteceria em fevereiro, a tempo de pressionar o Congresso na tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE), que voltou para a Câmara dos Deputados depois de modificado, para pior, pelo Senado. Sob protestos dos movimentos de defesa da educação, a Conae ficou para novembro, depois da Copa e das eleições, e o PNE, que deveria ter sido aprovado há três anos, vai atrasar mais um".

A par desses comentários com críticas contundentes, feitas pela ex-senadora Marina Silva, concluo com a afirmação do professor emérito da Unicamp, dr. Dermeval Saviani, que afirma: "Ora, tanto para se garantir uma formação consistente como para assegurar condições adequadas de trabalho faz-se necessário prover os recursos financeiros correspondentes".

Aí está, portanto, o grande desafio a ser enfrentado. É preciso acabar com duplicidade pela qual, ao mesmo tempo em que se proclamam aos quatro ventos as virtudes da educação exaltando sua importância decisiva num tipo de sociedade como esta em que vivemos, classificada como "sociedade do conhecimento", as políticas predominantes se pautam sempre pela busca da redução de custos, cortando investimentos. "Faz-se necessário ajustar as decisões políticas ao discurso imperante".

Rodolpho Pereira Lima