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Quatro regiões do Brasil tiveram corte de fornecimento de energia na tarde de ontem por falhas no sistema de transmissão, deixando sem luz entre 5 milhões e 6 milhões de pessoas, em momento de baixa histórica dos reservatórios de hidrelétricas e de alta demanda por parte dos consumidores de energia (veja quadro).
O blecaute - o primeiro relevante no Brasil em 2014, ano em que o País recebe a Copa do Mundo - ocorreu um dia após o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, ter afirmado que o governo não enxergava “nenhum risco de desabastecimento de energia”.
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, classificou como de “médio porte” a ocorrência ontem que atingiu cerca de 8% da carga no Sul e no Sudeste - regiões mais afetadas.
Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o apagão foi originado por curto-circuitos em linhas de transmissão no Tocantins, uma da Intesa e outra da Taesa. Após a configuração da perda dupla na transmissão entre Miracema e Colinas, foi determinado o desligamento do circuito remanescente, da Eletronorte, resultando na separação física dos sistemas de transmissão Norte e Nordeste do restante do sistema elétrico nacional.
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que o processo de desligamento orquestrado evitou um apagão maior.
Empresas
A Eletropaulo, em São Paulo, a Celesc, de Santa Catarina, e a Light, no Rio de Janeiro, e a paranaense Copel foram algumas das distribuidoras que interromperam o fornecimento de energia elétrica. A CEEE-D, que atua no Rio Grande do Sul, informou que também teve áreas afetadas, mas não forneceu detalhes.
A CPFL Energia informou, por meio de nota, que o desligamento de ontem corresponde a 8,5% da demanda média das sete distribuidoras do grupo no Estado de São Paulo.
O processo de recomposição para essas distribuidoras teve inicio às 14h29, após a estabilização da frequência no sistema, e foi finalizado às 14h58, com restabelecimento para todos os clientes afetados, localizados nos seguintes municípios: Americana, Campinas, Piracicaba, Louveira, Jundiaí, Praia Grande, Santos, Itaí, São Roque, Hortolândia, Baguaçu, Birigui, Monte Azul Paulista, Guaíra, Sorocaba, Porto Feliz, São Bento do Turvo, Santa Cruz do Rio Pardo, Jaguariúna, Pedreira e São José do Rio Pardo.
Reservatórios em queda
Os reservatórios de hidrelétricas no Sudeste/Centro-Oeste, os mais importantes para o abastecimento de energia do País, iniciaram a semana a 39,58% de armazenamento, uma queda de cerca de 1 ponto percentual desde a última quinta-feira.
Janeiro teve a pior ocorrência de chuvas para o mês desde 1954, resultando numa queda incomum dos reservatórios do País para esta época do ano, período úmido que normalmente abastece os rios.
Para garantir o abastecimento, o governo tem lançado mão do acionamento das térmicas - cuja energia é mais cara. Segundo Zimmermann, cerca de 15 mil MW dos 21 mil MW disponíveis em usinas termelétricas estão acionados.