10 de julho de 2026
Geral

Bombeiros ?elegem? as áreas para combater fogo em mato

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Alex Mita

Integrantes do Corpo de Bombeiros combatem fogo em mato na rua Veraldo Maziero, na Vila Aviação, em Bauru

Bauru em chamas. Não é força de expressão dos mais exagerados por conta do alto calor que tem feito neste começo de ano. A estiagem atípica nesta época tem feito a quantidade de casos de fogo em mato disparar na cidade. O Corpo de Bombeiros confirma que o número de ocorrências é muito superior ao comumente registrado neste período e revela que precisa priorizar os atendimentos.

De acordo com dados da corporação, há uma média de oito ocorrências diárias de fogo em mato atualmente. “O normal para esta época do ano seriam dois casos por dia. Geralmente, há chuvas em janeiro. Com essa estiagem atípica, os casos aumentaram”, revela o 1º tenente Mário Augusto Damiati, oficial de relações públicas do 12º Grupamento de Bombeiros.

Atualmente, Bauru conta com três viaturas d’água para atuar nesse tipo de ocorrência – dois veículos autotanques e um autobomba. Outras dois veículos dessa modalidade passam por manutenções (leia mais abaixo). Assim, quando há mais do que três chamados simultâneos de incêndio, é preciso “eleger” o atendimento.

“É algo que precisamos fazer. Passou de três chamados, precisamos priorizar o atendimento. Por exemplo, há um fogo em mato perto de uma residência ou um posto de combustível. Essas ocorrências serão prioridade em relação a um terreno isolado”, explica o tenente Damiati.

Foi o que ocorreu no último domingo na Vila Aviação. A reportagem presenciou um terreno em chamas na quadra 2 da rua Veraldo Maziero. O fogo tomava conta da vegetação e, mesmo acionados, os bombeiros não atenderam prontamente o chamado.

O tenente Augusto Damiati argumenta que, naquele dia, houve dez chamadas com um pico de casos em determinados momentos. “Só não mandamos o atendimento para o endereço citado porque as viaturas com água estavam empenhadas em outros três casos”, relatou.

Anteontem, em um terreno ao lado, o fogo deu as caras novamente. Desta vez, contudo, o Corpo de Bombeiros foi acionado e controlou as chamas que se espalhavam pelo local.

Vai piorar

Como a estiagem deve continuar, a previsão dos bombeiros não é nada otimista. Eles acreditam que as ocorrências relacionadas a fogo em mato tendem a aumentar. Sem a presença de chuvas, qualquer faísca no mato seco vira o estopim de uma queimada.

“É por isso que a população precisa colaborar. Não se deve, em hipótese alguma, limpar terrenos usando fogo”, alerta o tenente.

Outra dica fundamental e que pode evitar grande parte dos acidentes é para os fumantes. “As pessoas nunca devem jogar a famosa bituca de cigarro. Ou mesmo um fósforo. Muitos motoristas fazem isso quando estão na rodovia, por exemplo. É algo que não deve ser feito”, finaliza Mário Augusto Damiati.


Nos dois últimos anos, não houve flagrantes

De acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, a pessoa que for flagrada causando queimadas pode responder por crime ambiental conforme o artigo 62 do decreto federal 6514/06. O valor mínimo da multa é de R$ 5 mil. Contudo, em 2012 e 2013, não houve registro de autuações dessa natureza.

No caso do autor da irregularidade ter sido flagrado também por fiscais da Divisão de Vigilância Ambiental, ele ainda fica sujeito a uma multa que varia entre R$ 114,50 e R$ 4.350,00, dependendo da gravidade da situação conforme prevê o Código Sanitário (lei estadual 10.083/98).

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 3235-1134.


Cinco viaturas estão quebradas atualmente

Atualmente, os bombeiros estão com cinco viaturas quebradas. Dessas, duas seriam para apagar fogo em mato. Contudo, segundo o 1º tenente Mário Augusto Damiati, o atendimento em Bauru não está sendo prejudicado. “O nosso efetivo é para rodar três viaturas d’água. E é isso que está rodando. A que está em manutenção é a reserva”.

Ele afirma que as duas viaturas d’água e uma de salvamento que estão na manutenção já estarão reparadas até este fim de semana. O problema são os outros dois veículos aéreos (equipados com escadas).

“Temos uma autoescada, uma SK e uma autobomba escada. Só a autoescada está rodando. Mas ela supre toda a demanda que precisamos. As outras duas viaturas precisam de peças importadas e isso demora um pouco mais”, argumenta.


Mato alto

Um dos grandes vilões para a propagação do fogo é o mato alto em terrenos. Por isso, os proprietários também podem ter culpa nesses casos. A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Divisão de Vigilância Ambiental, informa que realiza fiscalização de terrenos e também atende denúncias.

Quando constatadas irregularidades, os proprietários são notificados. Se as determinações forem descumpridas, eles sofrem penalidades que incluem multas, cujos valores variam entre R$ R$ 114,50 e R$ 4.350,00.

As reclamações deverão ser registradas pelo telefone 3103-8050 ou no posto da prefeitura no Poupatempo.