08 de julho de 2026
Geral

Calor supera recorde de 14 meses

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

João Rosan

Pedestres fogem do sol ao caminharem pelo Calçadão

O calor escaldante que castiga Bauru há algumas semanas ganhou uma nova marca. Na tarde de ontem, a cidade registrou 36,5 graus, a maior temperatura dos últimos 14 meses. E a tendência é de que os dias quentes e secos continuem sendo um incômodo para a população ao menos até a próxima terça-feira.

Somente na quarta-feira, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), há possibilidade de chuvas em quantidade suficiente para amenizar o calor intenso sentido nos últimos dias. O recorde, ontem, foi marcado às 16h35.

Temperatura superior só havia sido registrada em dezembro de 2012, quando os termômetros bateram os 36,7 graus. Vale lembrar que a medição do IPMet adota padrões internacionais e, portanto, é feita à sombra, dentro de um imóvel.

“O ser humano passa a maior parte de sua vida dentro de ambientes cobertos. Então, a meteorologia usa como parâmetro, desde o início do século 17, espaços ‘indoor’, que possam simular o local onde as pessoas ficam com maior frequência”, explica o meteorologista José Carlos Figueiredo.

Localizado no bairro Chácara Bauruense, o instituto fica em local mais arejado e arborizado do que a maioria das demais áreas da cidade.

É outro motivo que leva o órgão a registrar temperaturas menores do que os termômetros das ruas, dos aplicativos de celulares e de painéis de automóveis. Essas medições extraoficiais, além de serem imprecisas, não podem ser consideradas estatisticamente.

Bloqueio

As altas temperaturas associadas à escassez de chuvas vêm sendo observadas em Bauru desde dezembro de 2013. No mês passado, a cidade registrou o janeiro mais quente dos últimos 18 anos, desde quando o IPMet iniciou as medições em sua estação.

Segundo Figueiredo, o clima seco típico do inverno e quente tanto quanto na primavera é resultado de um bloqueio atmosférico, em que a circulação de ventos no alto da atmosfera impede o avanço de frentes frias do Sul para o Sudeste do País.

“Este tipo de bloqueio é natural durante o outono e o inverno e ninguém ainda sabe explicar por que ele está ocorrendo agora na nossa região. Enquanto isso, no Sul, que era para estar seco, está chovendo o que costuma chover aqui”, observa, destacando que o fenômeno não guarda relação com o El Niño ou La Niña.

A última precipitação considerável em Bauru foi registrada no dia 24 de janeiro, quando choveu 17,5 milímetros. Desde o dia 29 até ontem, mais nenhuma gota caiu do céu. No mês passado, a chuva acumulada foi de apenas 104,4 milímetros, a mais baixa dos últimos 22 anos para janeiros.

Mas, segundo o meteorologista do IPMet, a configuração deste bloqueio já começou a se alterar e a previsão é de que, entre os dias 12 e 15, ele se dissipe completamente.