10 de julho de 2026
Política

Por vaga escolar, mulher se acorrenta

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Com promessa de greve de fome e de sede, a cozinheira Carla Fabiana Rodrigues se acorrentou a uma caixa de correio, ontem pela manhã, em frente ao Palácio da Cerejeiras, em Bauru, para reivindicar vaga na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) José Francisco Júnior a dois de seus filhos. Com a iniciativa, quis contemplar também o filho da vizinha Priscila Fernando Coelho, sendo que todas as crianças estão matriculadas em Escola Estadual Professora Iracema de Castro Amarante, no Jardim Bela Vista.

Moradora do Residencial Buritis, entregue pelo programa do governo federal Minha Casa Minha Vida no Parque Roosevelt, há cerca de um ano e meio ela reclama da distância e da indisciplina na escola estadual, embora seus filhos não tenham frequentado um único dia de aula. Mas como a Secretaria Municipal de Educação acenou com a possibilidade de acatar a reivindicação, cerca de quatro horas após o início do protesto ela deixou a frente da prefeitura, onde permaneceu com as crianças e os dez cartazes pintados a guache.

Promete, porém, voltar em caso de frustração. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, enquanto Carla permanecia presa à corrente, Priscila foi informada por profissionais da Secretaria Municipal de Educação que até dia 16 deste mês a administração terá informações referentes às vagas remanescentes na rede municipal. Ainda de acordo com o departamento de comunicação, ela concordou em aguardar até a data, situação confirmada por Carla, para quem estão asseguradas as vagas para seus filhos, na Emef José Francisco Júnior.

Matheus Rodrigues Ferreira Hypolito cursará o 5º ano e a irmã Eduarda, o 4º ano. “Essas vagas são mais fáceis. Disseram que o mais concorrido é para o primeiro ano (série em que Renan Ferreira dos Santos, filho de Priscila, pleiteia vaga)”.


Vagas

A Secretaria Municipal de Educação informa, porém, que os alunos citados pela reportagem não puderam ser matriculados na Emef José Francisco Júnior pela não disponibilidade de vagas até o momento. Sendo assim, foram encaminhados para escola pública de ensino fundamental mais próxima, que é a Iracema de Castro Amarante.

A assessoria de imprensa da prefeitura ainda acrescenta que tanto o Estado (28 escolas) quanto o município (16 unidades) têm escolas para alunos de nível fundamental, distribuídos de acordo com a disponibilidade de vagas e proximidade da residência às escolas.

Quando a instituição fica a mais de dois quilômetros de distância, o transporte escolar é garantido pela pasta, conforme determina a lei.  “A Secretaria Municipal de Educação informa que oferece o serviço de transporte há 20 anos e atualmente atende a quatro mil estudantes das redes públicas de ensino fundamental estadual e do município. Cada veículo conta com monitores, garantindo assim, a segurança das crianças transportadas”, consta na nota enviada à reportagem.

Um dia antes de fazer o ato, as mães foram atendidas pela secretária municipal de Educação, Vera Casério, acompanhada da vice-prefeita, Estela Almagro, quando receberam as mesmas informações. Mas com medo de perder o emprego por conta dos transtornos provocados pela educação dos filhos, agora matriculados em instituição distante de casa, as mulheres chamaram atenção dos munícipes que passavam pela prefeitura e do Poder Público, ontem pela manhã. Ameaçam repetir a dose.