|
Arquivo/Neide Carlos |
|
|
|
Coordenador Antônio Silva decidiu se tornar voluntário após ler uma matéria no JC |
Quem nunca precisou de uma palavra amiga em um momento difícil? Pois é. Eles não te conhecem e, provavelmente, nunca vão te conhecer. Porém, estão lá todos os dias, do outro lado da linha dispostos a ouvir os seus problemas e dar um conforto. Agora, o Centro de Valorização à Vida (CVV) de Bauru precisa de você para reforçar o quadro de voluntários.
Atualmente, o posto bauruense conta com 19 colaboradores. “A meta é chegar aos 40”, afirma o coordenador Antônio Alves da Silva, o Toninho. “Queremos aumentar nossos voluntários para poder atender e levar uma palavra amiga a mais pessoas”, complementa.
Hoje, o CVV de Bauru funciona das 15h às 23h. “Muitos dos voluntários precisam fazer jornada dobrada. Se tivesse mais gente colaborando, isso não ocorreria. Se chegássemos a 40, inclusive, iriamos colocar outras faixas de horário de atendimento”.
Em 2003, Toninho conta que lia uma reportagem semelhante a esta no Jornal da Cidade. Foi quando ele tomou a decisão que mudou a vida dele e de muitas outras pessoas.
“São 11 anos de voluntariado. Sei que já ajudei muitas pessoas. Muitas acabam ligando agradecendo pela palavra de conforto que demos”, aponta o coordenador.
Assim como ocorreu com ele, Toninho espera que outras pessoas possam se identificar com o serviço e ajudar.
“Os únicos requisitos para se tornar um voluntário são ter mais de 18 anos e, principalmente, a vontade de ajudar ao próximo. A pessoa não precisa nem saber ler e escrever”.
Os interessados passam por um curso preparatório exatamente para saber o melhor modo de dar um conforto a quem necessita. O curso começa no próximo dia 17 e tem nove dias de duração, com aulas todas às segundas-feiras, das 19h às 21h.
100 mil necessitados
O posto bauruense do CVV foi fundado no dia 24 de março de 1982. Prestes a completar 32 anos, o local atende hoje cerca de seis ligações diariamente. Já foram muito mais ligações. É por isso que a instituição busca mais voluntários e mais divulgação também.
“Foi feita uma pesquisa por amostragem e, em Bauru, cerca de 100 mil pessoas precisariam de uma palavra amiga do CVV. Isso nos mostra a importância de conseguir mais voluntários e continuar com nosso serviço”, analisa Toninho.
A situação, contudo, já foi pior. Teve época em que, de acordo com o coordenador, ficaram apenas cinco voluntários.
“É um trabalho muito importante e que pode salvar uma vida. Por isso, convido a quem quiser ajudar. Uma palavra que você diz pode ser um impulso maior para se dar um significado especial na nossa própria vida também”.
Serviço
Quem quiser se tornar um voluntário pode ligar para o CVV pelo telefone (14) 3222-4111. O curso preparatório começa no próximo dia 17.
Já quem estiver precisando de uma palavra amiga pode ligar no mesmo telefone diariamente das 15h às 23h. O contato também pode ser feito por e-mail pelo bauru@cvv.org.br. O site é www.cvv.org.br.
O que é?
O Centro de Valorização à Vida nasceu há 52 anos como uma entidade sem fins lucrativos. Tem como principal iniciativa o apoio emocional realizado pelo telefone, chat, e-mail, VoIP, correspondência ou pessoalmente nos postos do CVV em todo o País.
O serviço é gratuito, oferecido por voluntários que se colocam disponíveis à outra pessoa em uma conversa de ajuda e preocupados com os sentimentos dela. Os diálogos não são direcionados e não são feitas críticas nem julgamentos. O sigilo é garantido.
Do outro lado da linha
Apesar de ser um serviço de garantia de anonimato para o usuário, os voluntários do CVV conseguem traçar um perfil de quem mais os procura. “O que percebemos é que, no ano passado, houve uma diferença entre os períodos. Durante a tarde, mais as mulheres nos procuravam”, conta o coordenador Toninho.
Já quando a noite começava, o apoio era requisitado mais por homens. “Acabamos notando que, durante a noite, eram mais jovens do sexo masculino”, completa.