Indisposição gástrica causada pelos efeitos do calor intenso. Esse pode ser o motivo que levou a pequena Valentina Barbosa, de apenas três meses, a passar a noite no Pronto-Socorro Central (PSC).
O vômito bastou para que a recém-nascida também apresentasse quadro de desidratação. Ela estava entre as últimas crianças que aguardavam avaliação e liberação médica na sala de internação do PSC, na manhã de ontem. Os sintomas de Valentina, entretanto, não são um caso isolado.
De acordo com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, o calor intenso tem causado uma particularidade de doenças no atendimento da unidade.
“A prevalência é de doenças como intoxicação alimentar, gastroenterite e desidratação. O calor acelera o processo de deterioração dos alimentos e a proliferação de bactérias. Por isso, é importante estar atento ao que comemos fora de casa. Algumas pessoas também acabam comendo mais frutas no verão, mas sem lavar direito. Isso tudo reflete no aumento dos casos de intoxicação ou de gastroenterite, que levam à desidratação”, explica.
A desidratação também pode ocorrer quando há excesso de calor sem reposição suficiente da água eliminada pelo corpo.
Outras situações que podem levar ao problema são a diminuição do consumo de água, febre, diarreia, vômitos, uso de medicamentos diuréticos, exposição excessiva ao sol, excesso de roupas e abuso de exercícios físicos em horários de calor intenso.
Problemas renais
Além das doenças citadas, Sabbag também alerta que o número de casos de problemas renais em idosos também costuma aumentar nesta época do ano.
“Os idosos não sentem tanta sede e se desidratam rapidamente, assim como as crianças. Mas a diferença é que a criança se recupera em algumas horas, já a pessoa mais velha pode demorar mais de dois dias para repor a falta de líquido”, pontua.
O aumento da transpiração e a baixa ingestão de água também são os principais responsáveis pelo aumento do risco de formação dos cálculos renais ou pedras nos rins.
De acordo com o urologista do Centro de Referência para a Saúde do Homem, Fábio Vicentini, o cálculo renal aumenta em até 30% no verão. A maior incidência de casos é em homens.
“A dieta ideal inclui primordialmente o aumento da ingestão para cerca de dois litros de água por dia associado à diminuição do uso de sal nos alimentos”, explica.
Alergias
O calor potencializa a proliferação de bactérias e favorece também as crises alérgicas. “A tendência à rinite aumenta nesta época. Por isso é importante sempre deixar o ambiente dentro de casa úmido, seja com o uso de vaporizador ou com bacias de água ou toalhas molhadas”, alerta Sabbag.
Infecção urinária
Com a temperatura ultrapassando diariamente a casa dos 30ºC, é preciso também redobrar a atenção quanto à higiene íntima.
“A baixa ingestão de líquidos e a higienização inadequada contribuem para o aumento da incidência de infecções urinárias no verão”, alerta o médico urologista Ricardo Takeshi.
Segundo ele, a doença é mais recorrente em mulheres, devido ao comprimento menor da uretra feminina.
“É extremamente importante as mães ensinarem as meninas a higienização com o movimento de frente para trás para não contaminar a parte ginecológica com resíduos fecais”, frisa.
A infecção urinária provoca ardência ao urinar, aumento da frequência e diminuição do volume urinário, dor no abdômen inferior, calafrios e, em casos mais graves, pode evoluir para dor nas costas e febre. Se não tratada adequadamente, pode comprometer os rins, causar infecção generalizada e até a morte.
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