O capitão nunca jogou por nenhuma seleção. O principal meia não conseguiu levar seu país para o Mundial. O maior reforço do ano nem sonha com Copa. E nem o artilheiro da equipe e destaque da temporada tem passaporte carimbado para o Brasil.
O Atlético de Madri alcançou liderança isolada do Espanhol pela primeira vez desde o título de 1996 e ameaça a hegemonia de nove anos de conquistas restritas a Barcelona e Real Madrid com um elenco de renegados da Copa.
Dos 22 jogadores comandados pelo argentino Diego Simeone, apenas os belgas Courtois e Alderweireld e os uruguaios Godín e Cristian Rodríguez podem ser considerados hoje titulares de seleções que vão ao Mundial.
A julgar pelas últimas convocações, o Atlético ainda deve ter mais quatro ou cinco jogadores convocados para serem reservas na Copa.
Como comparação, Barcelona e Real têm hoje 11 e 13 jogadores respectivamente que devem começar o Mundial como titulares de suas seleções.
"Nossos jogadores querem muito vencer e ainda precisam estar bem nos clubes [para conseguir um espaço na Copa]. É claro que isso nos ajuda bastante", afirmou, por telefone, o zagueiro Miranda.
O defensor brasileiro é um dos jogadores do Atlético que, mesmo com o sucesso no clube, parecem distantes da Copa e jogam todas as esperanças em um possível fim do jejum de quase duas décadas sem vencer o Espanhol.
O time defende hoje a liderança contra o Almería depois do seu único baque nos últimos meses, a derrota por 3 a 0 no clássico com o Real, quarta-feira, pela ida das semifinais da Copa do Rei.
Miranda foi convocado por Luiz Felipe Scolari só uma vez, para a estreia do treinador, contra a Inglaterra, em fevereiro de 2013. Desde então, aguarda nova chance.
Outros dos seus parceiros, mesmo com destaque no líder do Espanhol, não têm nem esperança de disputar o Mundial. É o caso do volante Gabi, 30 anos, capitão do time, que nunca defendeu nenhuma seleção adulta, e do meia Arda Turan, principal armador da equipe, incapaz de classificar a Turquia para o Mundial.
Ou de Diego, ex-Santos, contratado do Wolfsburg na semana passada, e há tempos fora dos planos dos técnicos da seleção brasileira.
Nem Diego Costa, vice-artilheiro do Espanhol, com 22 gols, está garantido no Mundial. O centroavante, que se naturalizou espanhol e irritou a CBF, deve ser convocado para o amistoso contra a Itália, em março. Será seu único teste antes da Copa.
O atacante chegou a ser chamado pelo técnico Vicente del Bosque para os jogos contra Guiné Equatorial e África do Sul, em novembro, mas foi cortado por lesão.