O ex-analista de inteligência Edward Snowden chacoalhou o mundo com suas revelações de que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) espionava tudo, mas essa bisbilhotice é uma das marcas da vida moderna. A tendência dos negócios é também saber o que “pensa o consumidor” para oferecer serviços e novos empreendimentos. Não uma invasão de privacidade desmedida. As novas ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) possibilitam planejar e conhecer bem a preferência do consumidor. A atual era digital dos bits influenciará na venda do varejo, conforme constatou a 102ª edição anual do National Retail Federation (NRF), em Nova York.
O JC acompanhou na quarta-feira, em São Paulo, no Hotel Caesar Bussiness Faria Lima, o Pós Reatil’s Big Show organizado pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que trouxe um resumo da maior feira de varejo do mundo.
O evento americano é realizado há 104 anos, conta com convidados ilustres em suas palestras como Bill Clinton, Kofi Annan, e neste ano teve até o polêmico ex-presidente George Bush na feira.
Do Brasil, por exemplo, teve a maior comitiva: 6.700 pessoas, seguido do Canadá, com 1.208. A feira é realizada em área de 18.500 m2 com 56 palestras e mais de 10 mil visitantes em contato com parafernálias digitais e ideias simples de incremento de vendas.
O varejo americano movimenta US$ 2,5 trilhões por ano em vendas. É de lá que saem as novas tendências mundiais. Uma delas: o comércio eletrônico, que veio para ficar. O sócio-diretor do Universo Varejo, Daniel Zanco, diz que o e-commerce cresceu 28% só no ano passado - o que representa faturamento nada desprezível de R$ 28,8 bilhões.
Por isso, não há mais como escapar do varejo pela internet, do uso de celular, smartphones, interatividade, entre outras parafernálias que já convivemos desde os namoros de esquina até na hora de fechar os grandes negócios. “Não conseguimos mais viver sem celular. É uma constatação. Já imaginou um dia sem esse aparelho? A tendência de agora em diante é que será possível comprar, pagar, escolher e fazer uma série de operações pelo celular. O varejo tem que estar preparado para o mundo digital”, analisa o consultor, escalado para relatar as novas tendências.
A análise de dados, o Big Data, mais do que nunca fará parte do mundo do varejo. Regiane Romano, da Vip-Systems Informática, com sua fala rápida na mesma ansiedade dos bits, conta que “informação” é o próximo recurso natural, até “mais do que petróleo”. É dela a citação de Snowden para lembrar que tudo aquilo revelado é um pouco do mundo da alta tecnologia do século 21.
Já é possível saber o que o consumidor “pensa”, suas predileções e vontades através de análise de dados e novos instrumentos digitais com base no estudo do processamento de dados de qualquer loja pode ter de sua clientela. O Google e Facebook fazem isso muito bem no monitoramento de seus usuários. “Hoje no mundo são processados 2,5 quintillion de dados; 85% disso não estão organizados. Por isso, um bom planejamento de como processar tudo isso ajudará nas vendas de varejo”, conta a analista.
Pode até parecer um mundo de ficção científica, mas em Nova York foram mostradas experiências de lojas virtuais que estarão acessíveis no Brasil. “A IBM já prepara um aparelho que vai conversar com o consumidor”, conta a consultora. Por isso, vem muita inovação nos supermercados e varejo em geral.
Outra novidade: a personalização, como se o consumidor fosse único. Nos Estados Unidos, o consumidor pode encomendar um terno a uma loja pela internet. Ele passa suas medidas e recebe o produto em casa.