O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a atuação dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão, ao discursar ontem (8) num evento organizado pelo PT em Ribeirão Preto.
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Ricardo Stuckert |
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Lula criticou a atuação dos ministros do STF no julgamento do mensalão, ao discursar num evento organizado pelo PT em Ribeirão Preto |
"O grande papel de um ministro da Suprema Corte é falar nos autos do processo e não ficar falando para a televisão o que ele pensa. Se quer fazer política, entre num partido político e seja candidato, porque senão não tem lógica", declarou o ex-presidente, sem citar nomes.
Lula, que indicou quatro dos 11 ministros que compõem o STF hoje, afirmou que eles não deveriam usar o cargo para fazer política.
"Quando você indica alguém [para o STF], você está dando um emprego vitalício e o cidadão, se quiser fazer política, que diga: "Não aceito ser ministro, vou ser deputado, vou entrar num partido político e mostrar a cara. Mostre a cara", afirmou.
Sem citar os nomes de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, presos desde novembro do ano passado, Lula afirmou que PT "está sofrendo porque tem companheiros preso" e que se solidariza com todos eles.
"Se os companheiros erraram e tiver provas, eu tenho que pagar se tiver prova contra mim, a Marta [Suplicy] tem que pagar e cada um de vocês tem que pagar porque foi o nosso partido que não deixou sujeira debaixo do tapete. O que vale para nós tem que valer para todos", declarou o ex-presidente.
A Procuradoria-Geral da República pediu ontem ao STF que o deputado federal e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), seja condenado a 22 anos de prisão e ao pagamento de multa de mais de R$ 2,2 milhões por participação no suposto esquema de corrupção durante sua campanha à reeleição para o governo mineiro, em 1998.
Pouco antes do discurso de Lula, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, havia pedido um "julgamento justo" e com "direito a ampla defesa" para o adversário tucano.
"Bico de predador"
O PT organizou um evento para cerca de 1.500 pessoas em Ribeirão Preto que se tornou uma espécie de lançamento oficial da pré-campanha de Padilha ao governo de São Paulo.
Padrinho político do ex-ministro, Lula falou pouco de Padilha em seu discurso mas disse que a campanha paulista não será fácil. Segundo ele, "os tucanos não brincam em serviço, porque ninguém tem um bico daquele tamanho à toa. É bico de um bicho predador, de comedor de filhotinho", disse o ex-presidente.
Com discurso de candidato e recorrendo a metáforas de futebol, predileção de Lula, Padilha afirmou que o evento marcava o dia em que "um time iria entrar em campo para o campeonato mais duro".
O ex-ministro ampliou as críticas aos tucanos que tem feito durante os dois primeiros dias de caravana pelo interior do Estado e disse que "tucano tem voo lento e não voa alto". "São Paulo precisa de uma estrela, porque os tucanos podem voar, voar, mas nunca vão alcançar nossa estrela", completou.
Diante da militância com faixas e bandeiras, Lula brincou com o fato de os dirigentes petistas falarem que a campanha ao governo paulista ainda começou. "Imagina então se fosse campanha". "Padilha está com tesão demais, está com brilho nos olhos de quem quer ganhar as eleições e acho que os tucanos vão ter uma surpresa bastante desagradável".
Usineiro
Um grupo de militantes ligado à corrente O Trabalho, mais à esquerda do PT, levaram uma faixa em que se lia "usineiro de vice não". A manifestação é contrária à indicação do empresário Maurílio Biagi para a vaga de vice na chapa de Padilha. Biagi se filiou recentemente ao PR com apoio de Lula e tem se reunido com o ex-presidente e o ex-ministro.
Entre as lideranças petistas, estavam presentes a ministra da Cultura, Marta Suplicy, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, o senador Eduardo Suplicy, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o presidente do diretório estadual do PT paulista, Emidio de Souza, e o deputado estadual e tesoureiro da pré-campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, Edinho Silva. Em seus discursos, todos mantiveram as críticas ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).