10 de julho de 2026
Polícia

Andarilho morto com R$ 6 mil guardava pertences em carriola

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Renan Casal

Na carriola da vítima, que foi guardada, há roupas, sapatos e objetos pessoais

A polícia coletou as impressões digitais do andarilho atropelado anteontem, na altura da quadra 4 da avenida Nações Unidas, para tentar sua identificação. Até ontem à noite, o corpo dele permanecia no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. Os mais de R$ 6 mil encontrados com a vítima, que era conhecida como “Japonês”, foram guardados em um cofre da Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde deverão ficar até decisão judicial (leia mais ao lado).

Conforme divulgado ontem pelo JC, no sábado, por volta das 13h05, o andarilho foi atropelado por uma caminhonete Montana quando empurrava uma carriola pela faixa esquerda da Nações Unidas, no sentido Centro-bairro, próximo ao Terminal Rodoviário. Com o impacto, ele foi arremessado longe.

O condutor do veículo, H.R.G., de 37 anos, contou à Polícia Militar (PM) que não conseguiu evitar o acidente. O morador de rua foi socorrido pela Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos e chegou ao Pronto-Socorro Central (PSC) sem vida.

No momento do acidente, o andarilho vestia sete blusas. Quando a equipe médica de plantão foi retirar as peças de roupa dele para que fosse conduzido ao IML, encontrou centenas de cédulas e moedas espalhadas pelos bolsos das blusas, totalizando R$ 6.015,96. Todo o dinheiro foi apreendido.

A vítima, que tem traços orientais e aparenta ter cerca de 60 anos, não portava documentos, o que impossibilitou sua imediata identificação. Populares disseram à polícia que o andarilho não possuía residência fixa, dormia nas ruas e costumava perambular pela região empurrando a carriola com recicláveis.

30 anos

A dona de casa Magda Nassif Lourenço contou à reportagem que o homem morava nas ruas há cerca de 30 anos e aparentava ser uma pessoa bem instruída. Ela lembra que, na década de 90, quando trabalhava em uma financeira no Centro, viu quando ele passou mal e chamou a polícia para socorrê-lo.

“Ele disse que não estava passando bem e eu falei para ele se sentar”, revela. “Não tinha naquela época resgate e eu chamei a polícia”. Por ironia do destino, anteontem, seus caminhos voltaram a se encontrar. “As coisas dele estão no estacionamento do meu marido. O meu marido guardou depois do acidente”, diz.

De acordo com Magda, há mais ou menos uma semana, um carro quase atropelou “Japonês” no mesmo trecho onde ele foi atingido anteontem. “Um Ka brecou e outros dois vieram atrás e acabaram engavetando”, afirma. No sábado, segundo ela, ele não teve a mesma sorte. A mulher não soube dizer se ele possui familiares.

“Na época em que ele foi lá (na financeira), eu ouvi dizer que ele era uma pessoa bem de vida”, declara. “Eu não sei o que foi que aconteceu na vida dele para ele cair nessa vida. Eu não queria que ele fosse enterrado como indigente”.

Na carriola do andarilho havia peças de roupas, diversos pares de tênis e sapatos e objetos pessoais dele.


Mistério

O delegado plantonista José Dorneles Costa explicou que a análise das impressões digitais é realizada pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD) do Estado de São Paulo, órgão vinculado à Secretaria da Segurança Pública (SSP) responsável pela emissão dos RGs. O resultado do exame papiloscópico, segundo ele, demora alguns dias para ficar pronto.

Enquanto a identificação não é feita, o delegado conta que o corpo do andarilho irá permanecer em uma câmara fria no IML por um prazo determinado, que ele não soube precisar. Se, mesmo após a identificação, nenhum familiar dele for localizado, ele será enterrado como indigente.

No boletim de ocorrência (BO), a polícia declara que o dinheiro carregado pelo andarilho, provavelmente, é “fruto de mendicância”. Como a vítima ainda não foi identificada, não é possível saber se ela recebia algum benefício social ou mesmo eventual aposentadoria.

Segundo Costa, por enquanto o valor ficará guardado na CPJ. “Ele fica em um lugar específico, que tem cofre para drogas, dinheiro”, revela. “Se não aparecer ninguém, é depositado para o Estado”.