11 de julho de 2026
Geral

Após duas cirurgias, estudante morre no Hospital de Base

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Foram exatos 11 dias de luta. A jovem Thaís Cini, 19 anos, que segundo a família, foi diagnosticada tardiamente com um quadro grave de apendicite, não resistiu às complicações. Após duas cirurgias para o controle das infecções, Thaís morreu neste sábado, às 8h30, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base (HB) de Bauru.

Reprodução/Facebook

Thaís Cini, 19 anos, tinha planos de se casar em breve

O Jornal da Cidade tratou do caso na edição da última quarta-feira, quando a família da jovem acusou a Saúde municipal de negligência por ter descoberto a doença em estágio avançado, mesmo sendo atendida várias vezes por um médico na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Geisel.

A saga de Thaís teve início no dia 28 de janeiro, quanto passou mal pela primeira vez. Com vômito, diarreia e dor abdominal, ela procurou a UPA para um diagnóstico médico.

“O médico nem examinou ela direito. Não fez nenhum exame clínico, apenas disse que era virose e pediu para ela tomar quatro medicamentos”, disse a mãe Lilian Cini, 45 anos.

A garota levou para casa a receita médica e um atestado de dois dias, mesmo sem precisar, já que trabalhava com o noivo em uma padaria localizada no Parque Bauru. A diarreia e o vômito pararam, mas a dor abdominal não tinha fim. Thaís foi levada novamente à UPA nos dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro.

“Eles só sabiam colocar ela no soro. Depois a mandavam de volta para casa. Nós questionamos o médico: doutor, não pode ser apendicite? Mas ele chegou a dizer que era problema ginecológico e que poderia ser mioma”, acrescentou a mãe.

Andressa Cini de Oliveira, 27 anos irmã da jovem, contou à reportagem que ela já estava com o abdômen bastante inchado.

“O primeiro médico que a atendeu neste dia na UPA pediu uma radiografia. Ele disse que o exame mostrava que ela estava com muitos gases e fezes paradas, então pediu uma lavagem intestinal. Logo que começou o procedimento, ela deu um grito de dor. Acho que foi nessa hora que a apêndice rompeu. O outro médico que chegou depois, na troca de turno, suspeitou de apendicite e a encaminhou para o PS para fazer outros exames”, disse.

Com muita dor, no sábado, o noivo de Thaís a levou ao Pronto-Socorro Central (PSC), conforme indicou o médico. Com previsão de ultrassonografia apenas para segunda-feira, a família optou por tentar fazer o exame em uma clínica particular e assinou termo para a jovem receber alta.

“Ela estava lá, no corredor, e ninguém fazia nada. Eu perguntava para as enfermeiras: onde está o médico? E elas diziam: estamos procurando. É um descaso muito grande com o ser humano”, criticou a mãe, consternada.

Cirurgias

No dia 2 de fevereiro, às 19h, Thaís conseguiu uma vaga de internação no Hospital de Base, mas só 24 horas depois foi submetida à cirurgia.

“Eles demoraram para fazer a tomografia, disseram que era por conta da febre de quase 42 graus dela. Ela estava muito fraca, demorou muito para fazer o exame, e quando voltou já resolveram fazer a cirurgia. Se a suspeita era de apendicite, ela devia ter feito o exame e a cirurgia de emergência. Um dia é muita demora”, lamenta a irmã.

O médico saiu da sala de cirurgia definindo o quadro da jovem como grave. Disse, segundo a família, que o apêndice tinha rompido e o abdômen estava com pus e fezes, o que gerou uma infecção generalizada e acometeu os órgãos.

“Eles tentaram reverter o quadro, mas o exame de sangue não acusava bactéria. Na quarta-feira o quadro estabilizou, mas na sexta-feira eles resolveram fazer outra cirurgia. O médico disse que podia ter um ponto de infecção onde o antibiótico não chegava. Ela voltou para a UTI e morreu no sábado de manhã”, finalizou Andressa Cini.


Sonhadora

Thaís Cini, 19 anos, era uma jovem sonhadora. Tinha terminado o ensino médio e estava noiva há poucas semanas. Planejava o casamento com Marcel Ramos, dono da padaria onde trabalhava, e queria cursar administração para ajudá-lo no empreendimento.

Outro desejo da jovem, segundo a família, era ser cremada. O seu corpo foi velado das 17h às 23h do sábado no Velório São Vicente. Até amanhã, Thaís deverá ser cremada no Crematório Regional Jardim dos Lírios, em Bauru.


Denúncia

A família acusa negligência e afirma que fará denúncias ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

“Nós vamos até o fim. Vamos acionar o CRM, o Cremesp e quem mais for preciso para que eles investiguem a conduta desses médicos e porque não diagnosticaram a apendicite. No documento que atesta a morte da Thaís consta choque séptico e apendicectomia”, disse o cunhado Fábio Oliveira, 28 anos.


Lavagem intestinal

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, esclareceu que o médico que sugeriu a lavagem intestinal na jovem não tinha evidências de que o quadro se tratava de apendicite.

“Se ele suspeitasse que era apendicite, não teria pedido uma lavagem intestinal, porque não é a indicação para casos de apendicite”.

Ao ser questionado se o procedimento poderia agravar a doença, Sabbag explica: “Até pode agravar, mas o quadro inicial dela não era típico de apendicite.