Mais de 40 pessoas morreram, neste domingo (9), após a entrada de terroristas do grupo radical Estado Islâmico do Iraque e do Levante em uma cidade síria de maioria alauita, religião à qual pertence o presidente Bashar al Assad, informaram ativistas.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) disse que entre as vítimas há 21 civis --dos quais dez eram membros da mesma família-- e 20 milicianos pró-governo.
As vítimas são da cidade de Maan, na província central de Hama. A ONG não explicou a forma como elas morreram.
A Frente Islâmica, principal aliança opositora islamita, anunciou nas últimas horas que tinha tomado o controle de Maan ontem, em colaboração com combatentes de outras brigadas.
Segundo a Frente Islâmica, participaram também "na libertação" de Maan das tropas do regime, milicianos do Movimento Islâmico os Livres de Sham e a facção extremista Jund al-Aqsa. As informações não puderam ser verificadas de forma independente devido às restrições impostas pelo regime e pelos insurgentes aos jornalistas.
O conflito sírio tem adquirido contornos sectários cada vez maiores desde seu início em março de 2011.
Acesso humanitário
A França apresentará, em associação com outros países, um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU para exigir um acesso humanitário à população civil nas cidades cercadas da Síria, anunciou o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius.
"É absolutamente escandaloso que se discuta há tanto tempo e que a população continue sofrendo de fome todos os dias. Portanto, em associação com outros países, vamos apresentar uma resolução neste sentido", afirmou Fabius à emissora de rádio RTL.
Hoje devem ser retomadas em Genebra as negociações entre o regime sírio e a oposição na presença do mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, após uma semana de pausa.
"Pedimos uma ação muito mais forte no que diz respeito à ajuda humanitária e que as cidades sejam abertas aos remédios e mantimento", completou.
No domingo, a cidade síria de Homs foi cenário de uma primeira operação de retirada de civis após 20 meses de cerco. Centenas de pessoas foram retiradas pela ONU sob tiros nos bairros controlados pelos rebeldes. Em outras localidades do país, a violência provocou 300 vítimas nas últimas 24 horas, segundo o OSDH.
Ao mesmo tempo, Fabius descartou uma intervenção militar ocidental contra o "terrorismo" no sul da Líbia, como solicitou na semana passada o governo do Níger.