O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou, no fim da noite desta segunda-feira (10), a prisão temporária, com prazo de 30 dias, do suspeito de disparar o rojão que provocou a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio Andrade, atingido na cabeça. A decisão do Judiciário foi tomada para favorecer o trabalho da autoridade policial no levantamento de provas da participação dele no crime.
"Há evidente necessidade de se resguardar a instrução, a fim de que as demais provas sejam colhidas pela autoridade policial, garantindo-se, ao final, a instrução da causa, que é de grande repercussão e que merece integral apuração, dada a lesividade social que os eventos violentos havidos nas recentes manifestações nesta cidade não mais se repitam", diz o parecer da Justiça do Rio.
A assessoria da Polícia Civil informou que os trabalhos de investigação para apurar a morte do cinegrafista vêm se desenvolvendo "incansavelmente".
O tatuador Fábio Raposo, que admitiu ter passado o rojão ao homem que acendeu o artefato, foi preso domingo (9) na casa da mãe, no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. Ele foi indiciado por tentativa de homicídio e crime de explosão.
O outro homem, que teve a prisão temporária expedida pelo plantão Judiciário na noite de ontem, já tinha sido identificado pela Polícia Civil depois do advogado de Fábio, Jonas Tadeu, ter dado informações ao delegado Maurício Luciano, responsável pelas investigações.
Retrato falado do acusado é divulgado
A polícia divulgou na manhã de hoje o retrato falado de Caio Silva de Souza, 23, suspeito de ter lançado o rojão que atingiu a cabeça e causou a morte do cinegrafista da Rede Bandeirantes, Santiago Andrade, 49.
A Justiça decretou ontem a prisão temporária dele. De acordo com a polícia, estão sendo feitas buscas em vários pontos da cidade.
Segundo a polícia, ele seria o homem vestido de camiseta cinza que aparece nas imagens do dia da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus, que aconteceu na última quinta-feira, próxima à Central do Brasil, no centro do Rio.
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Retrato falado de Caio Silva de Souza divulgado pela polícia nesta terça-feira |
O delegado Maurício Luciano de Almeida, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão), já havia pedido na tarde de anteontem a prisão temporária do suspeito. A imagem de Souza foi, segundo a polícia, identificada pelo manifestante Fábio Raposo Barbosa, 22, que está preso pelo crime.
O reconhecimento ocorreu na tarde de ontem na cadeia pública Juíza Patrícia Lourival Aciolli, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, onde Raposo está preso desde a manhã de domingo. Ambos, como relata o delegado, foram indiciados sob suspeita de homicídio doloso qualificado e crime de explosão. Ele podem pegar até 35 anos de prisão.
Sem detalhar, Maurício Luciano disse que Souza tem duas passagens pela polícia.
Fábio Raposo Barbosa também tem duas passagens pela polícia. Na 5ª DP (Centro), ele foi autuado em 7 de outubro 2013, e responde por crime de dano ao patrimônio público e associação criminosa. Na 14ª DP (Leblon), em 22 de novembro de 2013, por crime de ameaça. Ambas as situações envolvem contextos de desordem pública, segundo assessoria de imprensa da Polícia Civil.