Ela nasceu como uma pinguela, para ligar os bairros Jardim da Grama e Jardim Prudência, e assim abrir passagem para pedestres e carroceiros, na década de 1930, segundo relatos de moradores.
Com o passar do tempo recebeu cobertura de terra vermelha e depois, asfalto. “Idosa”, a conhecida ponte do Jardim da Grama não está preparada para as chuvas nem para o intenso tráfego de veículos. Preocupados, moradores temem que a passagem possa ruir a qualquer momento.
A moradora da Vila Filomena (bairro vizinho ao Jardim Prudência), Cássia Cristina Macolongo, 47 anos, passa a pé pelo acesso de segunda a sexta-feira para buscar a neta Luara, de 3 anos, em uma creche no Jardim da Grama.
Para chegar até a creche, é preciso descer a rua São Sebastião e, ao chegar na quadra 2 da via, passa pelo acesso. A calçada quase não existe, está encoberta por terra da última chuva e há buracos das bocas de lobo. Todos os dias, Cássia se arrisca entre o tráfego de veículos, usando parte do asfalto.
Ela conta que nasceu na Vila Filomena, e quando era criança a ponte já existia. “Essa ponte é da época do meu avô. Minha família mora aqui há mais de 60 anos. Quando era criança ela já tinha terra, mas acredito que até carroça passou por aqui”.
Medo
Usuária assídua do trajeto, Cássia se queixa da falta de segurança. “Aqui passa de tudo o tempo todo: carro, caminhão, ônibus, bicicleta. Acho muito perigoso porque, toda vez que chove, esse córrego sobe e parece que vai levar a ponte. Imagine só se isso acontece com alguém ali, um carro. Está precisando de uma manutenção urgente”, queixou-se.
Comerciante há oito anos na esquina da quadra 2 da rua São Sebastião, Aparecido Cândido da Silva, 57 anos, mostra as marcas que a chuva deixou nas paredes de seu depósito de reciclagem: dois palmos de água acima da calçada.
“É só olhar o córrego. Ali embaixo deve estar tudo ruindo. Toda vez que chove essa água sobe, transborda. Muitos motoristas e pedestres ficam ilhados aqui. Por sorte, nunca perdi nada com as enchentes, mas já vi muitas cenas tristes”, relata.
Com relação à segurança do trecho, Aparecido também esboça preocupação. “Qualquer hora isso vai cair, um caminhão ficará preso. Aqui passam muitos veículos pesados o tempo todo”
Outro lado
Ao ser questionada sobre uma possível manutenção da ponte, a Secretaria Municipal de Obras informou em nota, por meio da assessoria de imprensa, que no máximo até a próxima segunda-feira uma equipe será deslocada para o serviço de reparos, o que incluiria a colocação de terra e a compactação do solo.
Ainda segundo a pasta, a solução definitiva para esse ponto está incluída no projeto que foi inscrito no Ministério das Cidades, ainda pendente de avaliação, que prevê a implantação de algumas barragens. Para a bacia do Córrego da Grama, onde está inserido o local citado, foram projetadas duas barragens: uma na Vila Santa Filomena e outra perto da favela São Manoel.