O motorista de ônibus envolvido no acidente que deixou dois mortos na manhã desta quarta-feira (12) prestou depoimento durante a tarde e afirmou que trafegava a 40 km/h quando atingiu um táxi na avenida Vereador José Diniz, na zona sul de São Paulo. O limite no local seria de 50 km/h.
O ônibus acabou ficando sobre o táxi após a batida, matando o taxista Ronaldo Voltan, 45 anos, e o passageiro Cyrille Fourny, 50 anos, vice-presidente financeiro da Helibras (empresa de helicópteros). Segundo a Polícia Civil, nove outras pessoas tiveram ferimentos leves e prestaram depoimento nesta quarta.
O motorista, que não teve o nome informado, afirmou que mantinha distância do outro coletivo, mas foi cortado pelo táxi. A polícia afirmou que agora vai apurar as informações do motorista.
O tacógrafo do ônibus já foi encaminhado para a perícia e a polícia procura câmeras da região que possam ter registrado o acidente. O motorista foi liberado após o depoimento e ninguém foi indiciado até o momento, segundo a polícia.
A mulher do executivo morto no acidente disse que ficou sabendo da morte de Cyrille Fourny, 50, pela TV. Maria Tereza Fourny estava na academia e quando chegou em casa, na região do Ibirapuera, viu o acidente e identificou o carro que ele costumava usar.
Marroquino, mas criado na França, Cyrille estava no Brasil há dois anos. O executivo, que é vice presidente financeiro da Helibras, ia para o escritório da empresa na região do Campo de Marte, na zona norte. Ele estava a bordo de um táxi de luxo que, próximo ao cruzamento com a rua Joaquim Nabuco, acabou sendo esmagado por um ônibus no corredor da avenida. As causas do acidente ainda não forma esclarecidas.
Fourny era pai de duas crianças, uma de 9 e outra de 14 anos. Segundo a mãe, as crianças estão em choque.
"Eu estava na academia quando meu motorista disse que não iria me buscar por conta do trânsito. Fui a pé para casa quando cheguei soube da noticia pela TV. As crianças chegaram ao meio dia, contei a notícia, um gritou outro começou a chorar, estão muito abaladas", disse Maria Tereza, casada havia 20 anos com o executivo.
Amava o Brasil
Segundo a mulher do executivo, Cyrille amava o Brasil e planejava morar para sempre aqui. Esportista, adorava jogar tênis e squash.
Segundo ela, vivia pelo trabalho, atividade que ele mais gostava de fazer. "Viajava o mundo pelo trabalho. Antes de trabalhar aqui passamos uma temporada no Canadá e na França" afirmou.
O executivo tem cinco irmãos. Cresceu na cidade de Angé, na região central da França.De acordo com sua mulher, era uma pessoa comunicativa e que vivia rodeado de amigos. "Eu briguei bastante com ele, por causa do meu gênio, mas ele nunca ousou em me destravar. Ele era Alegre e comunicativo, não tinha defeitos" elogiou.
O corpo do executivo ainda está no IML (Instituto Médico Legal) Sul, na região do Brooklyn. O local do velório e do enterro ainda não foram definidos.
Segundo Maria Teresa a possibilidade enterrá-lo na França existe, porém isso ainda "não foi decidido pela família" do executivo.
Motorista
O corpo do motorista do táxi, Ronaldo Voltan, 45, também está no IML, na região sul de São Paulo. Familiares estiveram no local para identificar o corpo, porém não quiseram conversar com a imprensa.
O velório e o enterro de Voltan também não foram decididos.
Acidente
O acidente aconteceu por volta das 7h, próximo à rua Joaquim Nabuco. Além do coletivo que atingiu o carro, um segundo ônibus também foi atingido pelo forte impacto. O acidente aconteceu no corredor de ônibus que existe na via.
Segundo o major Sérgio Watanabe, da PM, tudo indica que faltou freio no ônibus que atingiu o veículo. "Não tem nenhuma marca de freio no asfalto. Teria ocorrido falha mecânica no freio", disse o oficial.De acordo com o Corpo de Bombeiros, além dos dois mortos, oito pessoas ficaram feridas.
O táxi era um Corolla preto, um modelo de luxo e que cobra tarifa diferenciada. De acordo com o gerente da SPTrans da zona sul de São Paulo, Ricardo Rocha, o veículo podia trafegar pelo corredor. Segundo a versão do motorista do coletivo que atingiu o táxi, o taxista teria fechado o coletivo, que não teve tempo de frear.
A perícia vai analisar o veículo para verificar se houve alguma falha mecânica no coletivo ou se ele foi de fato fechado pelo taxista que, segundo familiares, tinha mais de 22 anos de profissão.