09 de julho de 2026
Regional

Filho é preso por mandar matar o pai

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação/Polícia Civil

Luis Gustavo Limoni foi preso acusado de planejar a morte do pai

O filho do professor e empresário Gilberto Limoni Filho, 57 anos, assassinado anteontem de manhã com um tiro no pescoço em uma avenida movimentada de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), teve a prisão temporária decretada a pedido da Polícia Civil sob a suspeita de ter “encomendado” a morte do próprio pai. Os dois homens que teriam sido “contratados” por ele para executar o crime, entre eles um “matador de aluguel”, também estão presos. A descoberta de um desfalque nas contas da empresa onde pai e filho eram sócios pode ter sido a causa do homicídio.

De acordo com o delegado Geraldo Franco Pires, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), um “detalhe” deixado pelo atirador na cena do crime, semelhante ao que foi encontrado pela polícia no cenário de um homicídio ocorrido no dia 11 de janeiro, no distrito de Rubião Junior, quando Luiz Carlos Bento, de 49 anos, foi morto com um tiro na boca, foi fundamental para que o caso começasse a ser esclarecido.

“Naquele homicídio, foi usada uma espingarda calibre 20 e a bucha (objeto que fica no cano da espingarda, entre a pólvora e o projétil, para prender e calçar a carga) dos projéteis ficou impregnada no corpo da vítima porque o tiro foi à queima-roupa”, conta. “Ontem (anteontem), quando nós estivemos no local, encontramos a mesma cena de crime – um tiro à queima-roupa e uma bucha impregnada no ferimento do corpo da vítima, do mesmo material”.

A semelhança entre as ocorrências levou a polícia a acreditar no envolvimento de uma mesma pessoa nas duas mortes (leia mais abaixo). Durante conversa com familiares do empresário, o delegado identificou algumas contradições no depoimento prestado pelo filho dele, Luis Gustavo Pardini Limoni, de 33 anos, que fizeram com que ele se tornasse um suspeito. “O crime começou a ser descoberto diante das contradições prestadas pelo filho da vítima”, declara.


Desvio de dinheiro

O delegado Geraldo Franco Pires afirma que o pai e filho eram sócios de uma empresa que presta consultoria para órgãos públicos. “Analisando a vida da vítima e as pessoas que orbitam em torno do seu círculo de amizades, família, negócios, nós não apuramos nada que nos levasse a encrencas pessoais, negociais ou familiares, relativamente à mãe e à filha, mas elevou-se a possibilidade de encrencas com o filho, que é sócio dele”, revela.

“O caminho da investigação indica que o filho teria desviado dinheiro da empresa e, num determinado momento, o pai descobriu essa falcatrua”. A tese da polícia é de que, a partir da descoberta do desvio, o empresário e o filho teriam se desentendido, o que levou Luis Gustavo a encomendar a morte do pai. De acordo com o delegado, ele tem passagens pela polícia e se relacionava com criminosos da cidade.

“Matador de aluguel”

O delegado revela que, há algum tempo, a DIG vinha investigando a existência de “matador de aluguel” no município, que seria Cláudio Aparecido Siqueira Junior, de 26 anos. “Eram dois crimes, um tentado e um homicídio consumado, em que ele figurava como autor no ano passado, inclusive com a prisão temporária decretada no caso do homicídio”, afirma.

Como Cláudio já havia sido reconhecido por testemunhas como o autor do homicídio de janeiro, com a descoberta das buchas semelhantes, anteontem de manhã, ele foi detido pela Polícia Militar sob a suspeita de atirar no empresário. “Nós identificamos algumas pessoas do relacionamento do filho da vítima, pessoas de má índole daqui da cidade, inclusive, que têm relacionamento com o Cláudio Aparecido Siqueira Junior”.

A moto apreendida na casa dele, uma Honda 125 vermelha, é do mesmo modelo e cor da que foi usada no crime. Além de Cláudio, a polícia também prendeu Paulo Ricardo Tavares de Souza, 22 anos, apontado como o segundo envolvido no homicídio. “Foi na busca e localização dessas pessoas que, efetivamente, nós tivemos a certeza de que o filho estava envolvido”, declara.

No final da noite, o delegado representou pela prisão temporária dos três por 30 dias, que foi concedida. “Nós temos provas e indícios suficientes que fundamentaram o pedido de prisão deles”, argumenta. Segundo Pires, nenhum deles confessou o crime. “Eles negam, mas entram em contradições muito claras a respeito de fatos que não deveriam entrar em contradições”, diz. A arma utilizada no homicídio não foi localizada.

O delegado aguarda o resultado das quebras dos sigilos bancário e telefônico dos investigados para anexar ao inquérito. “A polícia prossegue nas investigações, nesse tempo concedido pelo juiz, e acredita que a prova documental é que, efetivamente, vai nos dar a certeza absoluta da participação dessas pessoas no crime”, declarou o delegado Geraldo Franco.