08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Munir Zalaf


| Tempo de leitura: 2 min

Munir Zalaf tinha grandeza. Existem os que têm carisma, charme, mas não é só isso, é algo mais. Essa grandeza é que lhe dava aquela presença única: era alguém que, quando chegava, ninguém podia ignorar: sentia-se que ali estava alguém a quem se devia dar atenção e respeito. E não é que ele fosse arrogante ou prepotente, muito ao contrário, era humilde.

Logo ao chegar à Academia que ele abrilhantou com a sua presidência durante dez anos, foi logo informado aos que lhe perguntavam que faculdade cursara "eu só tenho diploma do curso primário" e era verdade embora convivendo com ele fosse impossível acreditar. Ele dominava semântica, morfologia e sintaxe, circunvagava pelos meandros labirínticos da linguística com suas conotações, como se um mestre da matéria fosse.

E quando ele subia ao palco, ou então mesmo quando não precisava subir e ali mesmo na nossa frente soltava sua voz empolgante, com dicção e prosódia perfeitas e declamava sobre as mãos, pedia que não o interrompessem, usando seus versos empolgantes e a gente ficava ouvindo num verdadeiro fascínio da sua personalidade impar. E não fomos só nós, pessoas sem conhecimentos mais altos de dramaticidade que nos impressionávamos com ele. Foi a própria Bibi Ferreira quem o levou para a dramaturgia, tornando-o um grande intérprete, sem nunca ter cursado uma escola de arte dramática.

Pois ainda tem mais, Munir trabalhou na indústria, na parte administrativa e há quem diga que o seu comportamento em administração de empresa, fazia pensar que ele tivesse, com certeza, cursado a famosa FGV em administração.

Tudo isto compunha a personalidade única desse grande Munir Zalaf que nós conhecemos e com quem convivemos por mais de dez anos e eu tenho para mim que o espírito que animou esse corpo e partiu para o além, algum dia, em algum lugar saberemos que em outros tempos tenha também animado outros corpos, de grandeza igual ou ainda maior. Senão, como explicar toda essa bagagem cultural invejável que ele que foi Munir Zalaf possuía, se nem nunca completou, nesta vida, sequer o curso fundamental?

Isolina Bresolin Vianna