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Provocado em audiência pública realizada na Câmara Municipal, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) resolveu se mobilizar para combater o déficit de hidrantes em Bauru. A partir de agora, a autarquia se compromete a instalar ao menos quatro equipamentos novos todos os meses nas calçadas da cidade.
A ofensiva, no entanto, soa tímida diante da enorme demanda de mais 460 hidrantes necessários para atender as exigências da legislação.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o decreto estadual 56.819/2011 prevê a obrigatoriedade de instalação de ao menos um dispositivo num raio de 300 metros.
De acordo com esta projeção, Bauru precisaria de um total de 550 hidrantes. Atualmente, a cidade conta com 126 deles instalados, sendo que apenas 90 efetivamente funcionam. “E, destes, alguns estão com problemas de vazão e pressão de água em horários de maior consumo”, aponta o tenente-coronel Rogério Gago, comandante do 12º Grupamento de Bombeiros.
Devido à falta de pessoal para fazer o serviço, o DAE acumula em seu almoxarifado, hoje, 60 hidrantes ainda não instalados, que foram doados por proprietários de novas edificações com mais de mil metros quadrados, exigência de lei municipal para a obtenção do Habite-se. Em abril do ano passado, o prefeito Rodrigo Agostinho chegou a declarar que o serviço de instalação seria terceirizado, mas as tratativas não tiveram continuidade.
Com o pessoal de que dispõe, o departamento deve demorar um ano e três meses somente para a ativação dos primeiros 60 hidrantes, se o ritmo for mantido em quatro equipamentos por mês. Mas, a longo prazo, as dificuldades para garantir a segurança dos imóveis contra incêndios são bem maiores.
Investimento alto
Segundo o DAE, Bauru conta, hoje, com apenas 110 pontos em que o diâmetro da rede de água suportaria a instalação de novos equipamentos. Isso porque os dispositivos só podem ser ativados em locais onde a tubulação possui diâmetro mínimo de 100 milímetros (quatro polegadas). Mas a maior parte da rede tem apenas duas polegadas.
Assim, mesmo que os 110 novos pontos disponíveis passem a contar com hidrante e os 36 equipamentos que não funcionam sejam substituídos, ainda seria preciso encontrar mais 314 locais para instalar os equipamentos restantes e cumprir a meta estabelecida por lei.
Não se trata de uma tarefa fácil, tampouco barata. Com expectativa de ser concluído no final do ano, o Plano Diretor de Água deverá apontar em quais locais a rede precisaria ser redimensionada, mas o investimento, de custo excessivamente alto, deverá barrar qualquer iniciativa imediata nesse sentido.
Contratado pela prefeitura, o levantamento está sendo realizado por uma empresa terceirizada para determinar quais melhorias serão necessárias para garantir os serviços de água em Bauru durante os próximos 20 anos. “É algo que ainda está em fase inicial, mas que vai apontar onde o sistema para o abastecimento precisa ser implantado ou ampliado”, pondera o presidente do DAE, Giasone Candia.
DAE instala três equipamentos
Equipes da Divisão Técnica do Departamento de Água e Esgoto (DAE) instalaram, nesta semana, três novos hidrantes em Bauru. Dois foram ativados na avenida Getúlio Vargas: um na quadra 13 e outro na quadra 19. Ontem, mais um equipamento seria implantado na Praça Portugal, no Jardim Estoril.
Distritos industriais serão priorizados
Até a próxima terça-feira, o Corpo de Bombeiros irá apresentar uma lista ao DAE sobre os locais prioritários para a instalação dos hidrantes. De antemão, o comandante da corporação adianta que, entre as regiões mais sensíveis, estão os distritos industriais, que estão desguarnecidos e são bastante vulneráveis a incêndios.
“A quantidade está bem aquém do ideal e não se trata de um problema de dimensão de rede. É claro que há alguns pontos em que o diâmetro da tubulação é insuficiente, mas temos condições de instalar hidrantes em quantidade suficiente para cobrir toda a área”, pondera o comandante do 12º Grupamento de Bombeiros, tenente-coronel Rogério Gago.
A notícia foi bem recebida pelos empresários, que vêm cobrando, sistematicamente, a implantação dos hidrantes em número suficiente na cidade.
Segundo o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Domingos Malandrino, além de se tratar de uma medida de segurança, a instalação dos dispositivos irá reduzir o custo das edificações e dos seguros contra incêndios.
“Sem hidrantes, os grandes empreendimentos são obrigados a construir reservatórios de água, algo que não é barato. Além disso, o valor do seguro dos imóveis – algo indispensável para as empresas – fica muito mais caro. O DAE precisa, urgentemente, elaborar um cronograma de instalação destes equipamentos”, pondera.
Exigência para doação de hidrante deve ser afrouxada pela Câmara
Deve ser votado, nas próximas semanas, o projeto que afrouxa a lei aprovada em 2010 para obrigar proprietários de novas edificações com mais de mil metros quadrados a doarem um hidrante ao Departamento de Água e Esgoto (DAE). A prefeitura queria reduzir a exigência para as construções maiores de 5 mil metros quadrados, mas não é este o patamar que será levado à votação.
Em audiência pública realizada na última quarta-feira, entidades representativas e vereadores decidiram por um meio termo: os hidrantes deverão ser doados para obtenção do Habite-se de construções acima de 3 mil metros quadrados.
Concordaram com a inserção da emenda ao projeto representantes do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon), Ciesp, DAE e Corpo de Bombeiros.
“Todos entenderam que, se a lei fosse valer apenas para as construções acima de 5 mil metros quadrados, seriam poucas as doações. Como o DAE se dispôs a instalar os hidrantes dentro de um certo ritmo e existem 110 pontos disponíveis, decidimos reduzir a exigência para 3 mil metros quadrados”, pontua o vereador Arildo Lima Júnior (PSDB), relator da Comissão de Obras, que convocou a audiência.
Cada kit hidrante, com todos os acessórios necessários para sua instalação, custa, em média, R$ 4.500,00. Com a exigência valendo para edificações acima de mil metros quadrados, a expectativa era de receber mais 90 equipamentos de obras com projetos já aprovados. Mas, se a alteração para 3 mil metros for aprovada, o número de dispositivos a serem doados deve cair para cerca de 40.