09 de julho de 2026
Articulistas

Insanidade preservacionista

Gino Paulucci Júnior
| Tempo de leitura: 2 min

Se você fosse convidado a visitar uma Unidade de Conservação de Vida Silvestre (UCVS), onde você pensaria ir? Campos de Palmas, Ilha dos Lobos, Quelônios do Araguaia, apenas para citar algumas destas unidades. Não, se depender de pessoas que não tem visão sistêmica, mas apenas pontual ou miopia ambiental, você poderá fazê-lo no perímetro urbano de nossa querida cidade. Isso mesmo, Bauru, no centro do Estado de São Paulo, locomotiva do Brasil, que é entroncamento de vários modais de transporte; que possui uma das menores áreas territoriais do Brasil, com perímetro urbano definido e respeitado há muito.

Está em discussão, no momento, a possibilidade de criar-se essa tal UCVS. Quem é favorável à instalação de tal aberração, em um perímetro urbano, deveria entender que o ser humano invadiu áreas onde outrora existiam fauna e flora, "talvez" em perfeita harmonia, mas hoje existem residências, empresas comerciais e industriais, pequenas propriedades, etc; em resumo, seres humanos. Não dá para voltar atrás, é fato consumado e dentro de leis que vigoram até hoje.

O Refugio de Vida Silvestre tem como objetivo proteger ambientes "naturais" onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória. O homem faz mal aos animais silvestres. Sim, é verdade. Também é verdade que animais silvestres fazem mal ao homem, pois são vetores de um grande numero de zoonoses, algumas fatais. Não é prudente tentar que os mesmos retornem ao nosso convívio.

Há que se criar Unidades de Conservação de Vida Silvestre, mas com muito critério. Em regiões onde existam recursos naturais disponíveis, como córregos ou rios com águas limpas, vegetação preservada na sua quase totalidade, pouca ou nenhuma densidade demográfica e poucas estradas, para que os mesmos possam transitar sem riscos de atropelamentos. Nenhum destes pré-requisitos está presente no caso de Bauru.

Existem áreas pertencentes ao Poder Público, dentro do perímetro em estudo, com nível de preservação adequado à formação de uma APP (Área de Preservação Permanente), que é o que sugerimos. Em uma APP, a área é preservada e seu "entorno" pode ser livremente utilizado em conformidade às leis, diferentemente de um UCVS que, quando criada, trás para seu "entorno" muitas restrições ambientais de uso. Bauru precisa atrair novas empresas e gerar empregos de qualidade, enfim, precisa modernizar-se. Não precisamos e não queremos algo tão restritivo e de resultado ambiental pífio.

O autor, Gino Paulucci Júnior, é engenheiro mecânico