O delegado Mauricio Luciano de Almeida entregou nesta sexta-feira (14) ao Ministério Público Estadual o relatório final do inquérito que investigou as causas da morte do cinegrafista Santiago Andrade, 49 anos, durante uma manifestação no centro do Rio de Janeiro, no último dia 6.
O delegado pediu que as prisões de Fábio Raposo, 23 anos, e Caio Silva de Souza, 22 anos, presos por portar e acender o rojão que atingiu Andrade, sejam convertidas de temporária em preventivas. A prisão preventiva tem tempo indeterminado. Já a temporária, a que ambos estão submetidos, tem duração de 30 dias.
Maurício Luciano de Almeida indiciou a dupla por "homicídio doloso eventual'. "Os dois fizeram trabalho conjunto, em comunhão de esforços e para mim não importa quem acendeu (o rojão)", disse o delegado.
O documento foi recebido pela promotora Vera Regina de Almeida, da 8ª Promotoria de Investigação Penal. Ela informou, através da assessoria do Ministério Público, que só vai falar sobre o caso após analisar a documentação. A promotora tem cinco dias úteis para oferecer a denúncia.
Advogado diz que jovem depôs à polícia ao ser "coagido" na prisão
Diana Brito/Folhapress
O advogado dos jovens presos sob suspeita de matar o cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, com um rojão na semana passada afirmou nesta sexta-feira (14) que Caio Silva de Souza, 22 anos, um dos seus clientes, foi coagido pela polícia a depor na prisão.
O defensor Jonas Tadeu Nunes disse que vai pedir até a próxima segunda-feira apoio ao Ministério Público do Estado do Rio para incluir a suposta ação irregular no processo.
"O Caio manifestou para mim que em momento algum mandou chamar a polícia para depor. Ao contrário, ele estava muito assustado e foi surpreendido com a chegada de pelo menos seis policiais (na cadeia)", disse o advogado.
"Foi coagido psicologicamente a falar na calada da noite, de madrugada", acrescentou. No início da tarde de hoje, o advogado esteve no presídio de Bangu, na zona oeste do Rio, para saber o motivo de Souza ter mudado sua versão inicial e negado ter acendido o rojão que causou a morte do cinegrafista.
O advogado disse ainda que o direito constitucional do silêncio foi violado e que pedirá habeas corpus e a anulação do inquérito nos próximos dias.
"Vou entrar com habeas corpus para imediata soltura e anulação deste depoimento do Caio. Como na primeira noite que ele passa na cadeia, ele é abordado por policiais que dizem que é melhor ele falar para o bem dele. Isso é uma conduta antiética da polícia", afirmou.
Caio Souza está preso desde a noite de anteontem no Complexo de Gericinó, em Bangu. Ele teria prestado depoimento a policiais civis da 17ª DP (São Cristóvão), na madrugada de ontem. O delegado Fábio Pacífico teria participado do interrogatório, mas ele não foi localizado pela reportagem para falar do assunto.
Jonas Nunes disse ainda que pretende falar com a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio, sobre o caso. Em entrevista coletiva ontem, o delegado responsável pela investigação, Maurício Luciano de Almeida, afirmou que o jovem pediu para depor na prisão e que "não havia tempo hábil de avisar o advogado que ele seria ouvido".
Nunes destaca ainda que vai continuar com o caso porque considera que não exista nenhuma contradição entre os seus clientes. "Eles foram bem claros: Caio segurou (o artefato), Fábio acendeu e Caio jogou no chão. Não foi Caio que acendeu. Por isso, os dois respondem pela mesma qualificação", explicou.