09 de julho de 2026
Bairros

?Corredores? de pista

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar dos perigos, é grande o número de pessoas que não abre mão de andar ou correr pelos acostamentos das rodovias. Cada um diz adotar uma tática diferente para manter-se seguro.

Caso do adepto do atletismo Carlos Roberto Faria é ainda mais longo. “Eu percorro de 25 a 30 quilômetros em dias alternados. Há 30 anos faço isso. Eu saio da Casa do Garoto, no Parque Vista Alegre, corro o trecho da Bauru-Marília até a nova entrada para Bauru na direção da Falcão, entro para a área urbana novamente até a avenida Moussa Tobias e reencontro o ponto de partida em um tempo de 2h35 por corrida.”

Sobre os perigos, ele fala de sua técnica. “Eu corro sempre o mais longe da linha da pista no acostamento, sempre para fora da linha da rodovia. Mas com o vento da passagem de caminhões em alta velocidade o corpo leva um puxão forte”, menciona. 

Já a caminhada diária de Marcos Zanetti enfrenta mais obstáculos. Ele começa na altura do condomínio Vila Inglesa, na Vila Antártica, em sai em direção à travessia da Marechal Rondon. “Nos finais de tarde é difícil atravessar e sei que é bastante perigoso. Mas não tem passarela aqui e todos os trabalhadores que vêm da cidade desde a altura do Bauru Shopping até o Higienópolis enfrenta esse problema. É terrível, muito trânsito e nenhuma opção para o pedestre.”

Zanetti adverte para outra barreira humana na região. “Quem tem alguma dificuldade motora não atravessa de jeito nenhum. Essas pessoas dependem de veículo para sair de uma região da cidade para outra porque não há como atravessar a Rondon, que acabou fazendo o isolamento físico da cidade entre quem mora do Beija Flor e Santa Luzia para o lado de lá e os moradores do outro lado. Eu caminho porque esse percurso é bom, no sentido bairro, mas a Rondon é o maior perigo”, cita.


Pedalando ao lado do perigo

A rodovia Bauru-Ipaussu tem perigosamente atraído frequentadores. A reforma da pista e a duplicação parecem servir de estímulo ao perigo. E os aventureiros saem de todos os lados. Após a pavimentação da ligação com a cidade, desde a Avenida Comendador da Silva Martha até a rodovia, passando pelo Cemitério do Ypê e chácaras Cardoso, os praticantes de rotas de bicicleta passaram a ir mais longe.

A rota de saída pela vicinal José Vicente Aiello que encontra com a pista duplicada da Bauru-Ipaussu nas proximidades do condomínio Lago Sul também é bem frequentada para pedalar.

O longo percurso em asfalto novo tem levado ciclistas a usar a região como “trilha no asfalto”, em razão da ligação entre a área urbana, na zona sul, e a rodovia.

Mesmo moradores de condomínios com estrutura para pedalar e caminhar, como o Lago Sul, gostam de esticar percursos e se arriscam pela rodovia Bauru-Ipaussu, apesar da existência de trecho em marginal ao longo da área do condomínio, sem contar as inúmeras vias dentro do próprio empreendimento.

A ocorrência se repete em outros pontos da ligação rodovia-área urbana. A saída para a rodovia Bauru-Iacanga foi a escolhida, por exemplo, pelo jovem Jair Rodrigues. Ele disse que a escolha foi por conhecer o trecho.

Jair trabalha em um atacadista na avenida Nuno de Assis e, por isso, percorre o caminho da Rondon até a alça para a Bauru-Iacanga, entrando sentido bairro por esta rodovia. “Como já percorro isso, apesar do movimento intenso, eu ainda saio de casa para pedalar e vou até as avenidas Moussa Tobias e Nações Norte, saindo da Vila São Paulo”, menciona.

Mas como passou a trabalhar à noite, Rodrigues atendeu aos apelos da esposa. “É ainda mais perigoso à noite, então parei de ir de bicicleta para atender um pedido da esposa”, confessa.

Assim como nos demais casos, em todo depoimento de frequentadores dos trechos rodoviários, para caminhar, pedalar ou como trajeto de ida e vinda trabalho-casa, o perigo é elemento comum, apesar do enfrentamento. “A falta de passarela é um problema enorme. É muito difícil o trecho da Rondon pela manhã e nos finais de casa”, repete Carlos Augusto na alça da Rondon para a Vila Santa Luzia.

No mesmo ponto, os amigos Alfredo Oliveira e Elizabeth Sá se arriscavam para jogar vôlei no Sesc. “Não tem jeito. É perigoso, mas tem de atravessar, senão a gente fica sem jogar vôlei”, resumiram.


Os locais mais perigosos