09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Rodrigo Viotto Coube

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

João Rosan

Rodrigo Coube criou em 2000 uma das mais conceituadas editoras da região: a Idea

Ele era sócio e executivo da Tilibra quando surgiu o interesse pelo mercado do livro e as primeiras oportunidades de montar uma editora em Bauru. Em 2000, Rodrigo Viotto Coube criou uma das mais conceituadas editoras da região: a Idea. Entre os destaques da editora está o escritor suíço Erich Von Däniken, o autor do best-seller “Eram os Deuses Astronautas”.

“Temos uma boa gama de gêneros e mais de 60 títulos publicados. Esta não é uma marca tão grande, mas prezamos pelos lançamentos. Não somos uma editora aberta a qualquer tipo de publicação. Há um crivo editorial, um caminho de qualidade”, defende o empresário.

Além da vida profissional, o entrevistado de hoje também fala sobre suas paixões. E o Carnaval é uma delas. Ao lado de um grupo de amigos, ele criou há dois anos o bloco Agora ou Nunca. Mas a folia nasceu há muito tempo e, como ele mesmo diz, é herança de família. “Meus pais brincaram a folia dos anos 50 e 60 no Bauru Tênis Clube (BTC), Automóvel Clube, Hípica... É um gosto familiar. Eu e meus irmãos crescemos brincando o Carnaval”, lembra.

Assim como a maior festa do Brasil, o esporte também acompanha Rodrigo desde a infância. É hobby e orgulho. Confira estas e outras histórias a seguir.


Jornal da Cidade - Por que uma editora?

Rodrigo Viotto Coube - Eu sou de uma família de empresa gráfica (Tilibra) e sempre trabalhei com produtos gráficos. Ao longo de sua história, a Tilibra publicou alguns livros e edições, mas não era o foco do negócio. Entretanto, eu comecei a me interessar pelo mercado literário ainda na empresa. Fui me informando sobre o ramo e surgiu a minha primeira oportunidade de abrir uma editora por conta própria, mas não aceitei. Mais tarde, em 2000, fui procurado por um profissional do livro que estava em Bauru há pouco tempo. Este foi o segundo ou terceiro convite que recebi para abrir uma editora. Parece até que as coisas estavam conspirando para este caminho.

JC - O convite foi aceito?

Rodrigo - Na época, eu era sócio e executivo da Tilibra, o que não me permitia oferecer muito tempo e esforço para uma editora. Foi o que eu disse a ele. Acabei topando o desafio e, em agosto de 2000, fundamos a Idea Editora, ainda sem muita noção do que faríamos. Por outro lado, nessa época eu já acompanhava o mercado do livro, frequentava feiras com olhar técnico, tentando entender o que estava acontecendo...

JC - Você sempre gostou de ler?

Rodrigo - Não vou dizer que fui um leitor ávido, não. Mas eu sempre li e sempre gostei de alguns gêneros específicos, como fantasia. Não somente a leitura me fascina, o mundo do livro sempre me despertou curiosidade e encanto.  

JC - Como você analisa o atual mercado da leitura?

Rodrigo - O Brasil não é um país de leitores, mas alguns fenômenos editoriais vêm mudando isso. Temos a geração que acompanhou Harry Potter, recentemente tivemos um fenômeno com obras de erotização feminina. Observo, também, pessoas que não estavam lendo e estão sendo levadas à leitura através da religião, com livros de padres, pastores... Anteriormente, tivemos a avalanche Paulo Coelho, ou seja, há uma reversão nesse sentido. Eu diria que nos últimos 20 anos as pessoas estão aderindo mais à leitura. E uma coisa puxa a outra. São fenômenos editoriais e culturais que ajudam a trazer mais gente para o mundo da leitura. A partir do momento que a pessoa começa a ler um livro, ela se abre para outros títulos e novas experiências. 

JC - A Idea trabalha com quais segmentos?

Rodrigo - A gente trabalha com o esoterismo, somos os atuais editores do Erich Von Däniken no Brasil. Trouxemos o escritor a Bauru no ano passado, inclusive. Nós temos livros de ficção científica, geopolítica, livros sobre a CIA (Agência Central de Inteligência), alguns títulos infantis, alguns que conversam com a academia, como o “Queremos Saber”, do Alberto Consolaro. Temos livros de pessoas que fazem reflexão sobre a vida, outros de suspense e romance policial. Temos uma boa gama de gêneros e mais de 60 títulos publicados, alguns institucionais feitos com algumas parcerias. Esta não é uma marca tão grande, mas prezamos pelos lançamentos. Não somos uma editora aberta a qualquer tipo de publicação. Há um crivo editorial, um caminho de qualidade.  

JC - E você já pensou em escrever um livro?

Rodrigo - (Risos) Já pensei, sim, como qualquer pessoa que entra neste universo. Já pensei em escrever uma ficção, um romance. Já tive algumas ideias e, quando era mais jovem, até cheguei a escrever algumas poesias pessoais. Mas atualmente sou um profissional do livro, publisher e editor, e acho difícil me afastar dessas funções para me dedicar a qualquer projeto literário. Talvez um dia eu pare e escreva um livro. Hoje eu leio muitos originais de quem quer publicar, analiso o mercado editorial e as oportunidades que a Idea tem dentro desse nicho. 

JC - Novos projetos?

Rodrigo - Em 2014 lançaremos um novo livro do Erich Von Däniken, chamado “Sinais dos Deuses”. Ele estará no Brasil pelo terceiro ano seguido, desta vez em abril, nas cidades de Campinas e Santos. Hoje ele é nosso carro-chefe. Também temos projetos de novos autores, muito bons, alguns deles da cidade e região. Serão títulos de diferentes gêneros: ficção científica, fantasia, histórico esotérico e terror. Devemos focar o ano na promoção destas obras e seus autores. 

JC - O Carnaval é uma paixão pessoal. Tanto que você é um dos líderes do novo bloco Agora ou Nunca?

Rodrigo - O Carnaval é uma história familiar. Meus pais brincaram a folia dos anos 50 e 60 no Bauru Tênis Clube (BTC), Automóvel Clube, Hípica... É um gosto familiar. Eu e meus irmãos crescemos brincando o Carnaval. Fui passista da Mocidade Independente da Vila Falcão, já saí na Mangueira, do Rio de Janeiro, além de ter assistido a vários desfiles cariocas. Só não pulei o Carnaval da Bahia, ainda (risos). É uma coisa cultural nossa, quase uma herança.

JC - E como nasceu o “Agora ou Nunca”?

Rodrigo - Há dois anos, um grupo de amigos teve a ideia de montar um bloco com trio elétrico, novidade em Bauru. Foi assim que surgiu o Agora ou Nunca, que é um sucesso, uma energia muito positiva.

JC - Qual é a perspectiva para este Carnaval?

Rodrigo - A melhor possível. No ano passado, o bloco reuniu 300 pessoas, este ano serão 400 foliões. Mas muita gente ainda vai ficar de fora, infelizmente. Até porque pode perder a essência de ser um bloco de amigos e amigos de amigos, se crescer muito.  

JC - Você está passando esta herança para suas filhas?

Rodrigo - Minha esposa, Carmen, também é do Carnaval. Chegamos a ter um namorico na folia, antes do namoro sério. Estamos juntos já 20 anos, 18 de casados, e não tem como ser diferente, nossas três filhas sabem cantar marchinhas e nunca brincaram em clubes como nós. 


Perfil

Nome: Rodrigo Viotto Coube

Idade: 47 anos

Cidade: Bauru

Esposa: Carmen Vono Coube

Filhos: Heloísa, Isadora e Sofia

Hobby: Leitura, cinema e prática de esportes

Livro de cabeceira: Posso citar ao menos três: “A História Está Errada”, por Erich Von Däniken; “O Peregrino e as Luzes”, por Nelson Real Júnior, e “O Poder do Mito”, por Joseph Campbell

Filme  preferido: “O Dia em que a Terra Parou”

Estilo musical predileto: Rock/pop dos anos 80

Time: São Paulo

Para quem dá nota 10: Para os avatares da humanidade, como Jesus Cristo, Buda...

Para quem dá nota 0: Para a maldade e os defeitos de caráter quando excessivos

E-mail: rodrigocoube@ideaeditora.com.br